Batman: O Cavaleiro das Trevas – Parte 1 | Review

Batman: The Dark Knight Returns – Part 1
EUA, 2012 – 76 min
Animação / Ação

Direção:
Jay Oliva
Roteiro:
Bob Goodman
Vozes:
Peter Weller, Ariel Winter, David Selby, Wade Williams, Carlos Alazraqui, Dee Bradley Baker, Paget Brewster, Richard Doyle, Michael Emerson, Michael Jackson

Criada em 1986, por Frank Miller, Batman: O Cavaleiro das Trevas (Batman: The Dark Knight Returns) é considerada uma das obras-primas das histórias em quadrinho. E os motivos são diversos. A HQ, aliás, serviu como inspiração para Christopher Nolan na conclusão de sua trilogia com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Na HQ, Gotham City já se cansou de Batman e o vigilante se aposentou. O problema é que a violência na cidade tomou novos rumos, fazendo com que Bruce Wayne saísse de sua aposentadoria, aos 55 anos.

A Warner Bros., como não é boba, resolveu se aproveitar o fato de ter os direitos sobre o homem morcego e produzir dois longas-metragens adaptando as páginas desenhadas em animação. O primeiro resultado é Batman: O Cavaleiro das Trevas – Parte 1, já disponível para venda e locação no Brasil. E se você pensa que o tom é leve por ser um desenho animado, você está redondamente enganado. O filme é sombrio, violento e pesado, mantendo a essência da obra de Miller, mostrando uma realidade mais próxima dos nossos dias do que gostaria.

Gotham City está tomada pelo caos. Os chamados “Mutantes” têm como objetivo instaurar o medo e desordem na cidade, além de matar o comissário Gordon, que está perto de se aposentar do cargo. Os bandidos de hoje não fazem sentido. Eles matam, roubam, aterrorizam por nenhum motivo. Eles simplesmente agem. O que é mais preocupante, já que não estão abertos para negociação, como deixa bem claro o líder dos Mutantes.

O longa ainda traz outros questionamentos, como a fragilidade do setor público, da polícia e da própria população. A facilidade com que o mal consegue dominar o povo. Este precisa de algo que lhe dê esperança, algum símbolo que surja como uma luz no fim do túnel. Batman é este símbolo, por mais controverso que possa ser diante dos olhos de muita gente. Como diz Doutor Bartolomeu Wolper, psicólogo que é contra-Batman, o controle da violência que o homem morcego conquista é apenas ilusório, temporário. Toda ação resulta numa reação. Quanto mais se pressiona os criminosos, a chance de haver uma revolta é ainda maior. Prova disso é o que estamos presenciando no estado de São Paulo. É difícil encontrar a resposta para lidar com a marginalidade e a criminalidade nas cidades da melhor maneira. A polícia pressiona os criminosos e, em troca, eles contra-atacam de maneira aleatória, consolidando a impotência social, mostrando as fraquezas do setor público e da segurança.

Alguns diálogos e temas desta produção se assemelham muito aos que foram utilizados por Nolan em sua trilogia, incluindo até um diálogo inteiro. Durante uma perseguição policial, Batman retorna e o policial mais velho diz ao mais novo. “Vamos ver um show, garoto”. Apesar das semelhanças, a animação é bem mais brutal. Palavrões, sangue e cenas até perturbadoras acontecem em cena. O longa é também recheado de tensão, com uma trama que se desenvolve de forma ágil e que não deixa espaço para o marasmo. A história é rica, cheia de pontos que encontram a realidade e também desenvolve com esmero o psicológico do protagonista, que de alguma forma precisa lutar contra sua mente e seu corpo, a fim de provar algo para si próprio. Bruce Wayne ainda resiste em aceitar seus demônios até que se vê diante deles mais uma vez.

Frank Miller sabe desenvolver seus personagens, deixando-os críveis aos olhos do leitor (e do espectador, neste caso), mostrando a tridimensionalidade que há neles. O roteiro de Bob Goodman honra o que Miller construiu e a direção de Jay Oliva segue pelo mesmo caminho, utilizando quadros inteiros e características gráficas da HQ. A animação é de qualidade e segue os padrões dos desenhos da atualidade como, por exemplo, Ben 10. Auxiliando o clima soturno, as tonalidades raramente são demasiadamente coloridas. Respeitando o tom da HQ, o longa tem uma aparência mais escura, apostando em cores como o costumeiro preto, o azul escuro, o cinza, o verde, que muitas vezes vai ao encontro da escuridão e até mesmo o marrom.

 Se Hollywood tivesse coragem e adaptasse essa história para as telonas, sem contar com a direção de Joel Schumacher, certamente teríamos o melhor filme do homem morcego. Contudo, algo tão impactante e violento dificilmente seria uma aposta dos grandes produtores. Felizmente, a Warner produziu esta animação e acertou em cheio, sem privar o público de todo o conteúdo criado por Frank Miller.

Confira também:
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Review

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close