A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 | Review

The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2
EUA, 2012 – 115 min
Romance

Direção:
Bill Condon
Roteiro:
Melissa Rosenberg
Elenco:
Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Ashley Greene, Michael Sheen, Dakota Fanning, Mackenzie Foy, Maggie Grace

Esqueça tudo o que você já viu sobre A Saga Crepúsculo até agora. Amanhecer – Parte 2 irá lhe proporcionar novas coisas e irá lhe surpreender. Novamente, de uma forma negativa. Quando se pensa (ou não) que uma das sagas cinematográficas de maior sucesso deste novo século vai conseguir deixar alguma contribuição para o público, nos vemos diante de uma franquia que passou quatro livros e cinco filmes dizendo absolutamente nada. Na verdade, ela diz. Mas o que ela nos transmite é uma visão machista do século XIX.

Em A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, Stephenie Meyer mais uma vez prega a sua dependência em relação aos homens. Desde o primeiro longa-metragem da cinessérie, a visão é a de que a mulher não precisa ser nada. Não precisa ter amigos, ser inteligente, aplicada nos estudos, ter carreira, vida social, nada disso. O que ela precisa para ser feliz é sua paixão platônica, idealizada através de um vampiro que brilha no sol. Além disso, a castidade também é importante. Edward (Robert Pattinson) não ousa tocar em Bella (Kristen Stewart) com medo de machuca-la, ou talvez a deixa-la impura. Ser vampiro é uma espécie de pecado até segunda ordem. Assim como o sexo, que vem apenas após o casamento. Afinal, as leis de Deus devem ser seguidas à risca.

Esta visão, de que a mulher é altamente dependente do homem, é reforçada novamente. Agora, Bella é uma vampira. E, segundo as próprias palavras dela, “nasceu para ser vampira”. Força sobrenatural, velocidade multiplicada e sede de sexo. Meyer utiliza o casamento como uma metáfora de que apenas o matrimônio pode tornar a mulher completa e mais viva do que nunca. De Crepúsculo à Amanhecer, nunca fora intenção de Bella ser alguma coisa além de a mulher de Edward. A vida dela é baseada nisso e acredita que a eternidade será ainda melhor pelo fato de ela poder ser para sempre a esposa dele. Para Stephenie Meyer, o feminismo não é para todas e especialmente não é para a sua protagonista. Meyer não escreve como profissão, ela escreve para passar adiante seus valores ultrapassados.

Amanhecer – Parte 2 serve para dar conta do restante do livro escrito por Meyer. Nele, os Volturi querem matar a filhinha do casal protagonista, Renesmee (Mackenzie Foy), pois acreditam que eles deram luz a uma criança imortal. Por este motivo, um embate é quase inevitável. Para proteger a família, os Cullens recrutam outros vampiros ao redor do planeta para testemunhar que a menina não oferece perigo e ajuda-los no combate, caso este ocorra.

Felizmente, este é o longa-metragem onde há menos “eu te amo” e “você é minha vida” por parte tanto de Bella quanto de Edward. Talvez porque não haja tempo mesmo. Então você se pergunta: como eles preencheram o filme? Pois é, boa parte do longa se passa em busca dos vampiros com dons sobrenaturais. É basicamente um X-Men vampiresco. Cada vampiro nasce com um dom diferente e Meyer acredita que isso é uma boa ideia. Ok, então. Vamos em frente.

O longa incomoda em vários aspectos. Taylor Lautner, o lobinho Jacob, está totalmente avulso em cena e nem faz muita questão de atuar aqui. Aliás, alguém deste elenco se esforça em algum momento? Dakota Fanning entra muda e sai calada, enquanto Michael Sheen (Aro, o líder dos Volturi) é o único que parece se divertir no papel, mas não adianta. É apenas uma agulha no palheiro. Paralelamente, os coadjuvantes vampirescos mostram como atuar no estilo de novelas mexicanas. Thalia se sairia bem melhor em cena, aposto. E o que são os diálogos deste filme? Melissa Rosenberg, a roteirista, capricha no breguismo, juntamente com a quantidade absurda de closes que a direção faz questão de utilizar, deixando o longa com uma carinha de filme b. O que ainda piora a atuação da rapaziada é a maquiagem arcaica. Alguém já viu O Senhor dos Anéis ou Harry Potter? Era só chamar alguém que seja competente no que setor. Não acho que seja tão difícil para uma franquia bilionária contratar alguém com talento.

Ainda nos termos técnicos, os efeitos especiais estão ainda piores. Salta aos olhos os defeitos visuais do longa-metragem. Quase não há cena em que os efeitos não prejudiquem a experiência cinematográfica. Seja pra fazer uma pedra quebrando ou os vampiros se locomovendo, não há resultado positivo. O Papa-Léguas parece mais crível correndo do que os vampiros. A transformação dos lobisomens então… Ah, está cada vez mais ridícula. Os lobos não conseguem ficar dentro da mesma cena com os personagens de carne em osso sem parecer artificiais. Como bem apontado pelo crítico da Rolling Stone, Peter Travers, os lobisomens se mostram pixilizados ao se moverem. O longa tem cara de produção barata e é um ultraje ser desta maneira já que a produtora dona da franquia tem dinheiro de sobra para investir. Mas qual o propósito de fazer uma produção caprichada se as pessoas irão assistir de qualquer forma, mesmo se o fundo verde fosse visível?

Os efeitos especiais funcionam de forma negativa não só nas batalhas, nos lobos, nos vampiros, nas paisagens, mas também em Renesmee. Como a criança tem um crescimento acelerado, de bebê ela passa para uma criança de 12 anos, aproximadamente. O problema é que Bill Condon (diretor de Amanhecer partes 1 e 2) resolveu utilizar o rosto da atriz Mackenzie Foy em todas as etapas do crescimento de Renesmee. Com isso, até os últimos 40 minutos de filme, a criança parece uma alienígena, um produto artificial.

O desenvolvimento da trama é mais uma vez vazio. São várias adições no elenco, mas todas são tão rápidas que não dá tempo de aproveitar nenhum dos novos personagens. Ou seja, Amanhecer – Parte 2 faz o que a saga faz de melhor: ser superficial. Temos mais de uma hora de absolutamente nada. É um marasmo só, até que a tão esperada batalha com os Volturi chega. Não me cabe revelar o que acontece, mas posso dizer que depois de parecer que a série teve um momento legal, o filme desconstrói o pouco de bom que conseguiu construir aqui.

Mais uma vez, A Saga Crepúsculo cria um longa-metragem que não diz nada e que só irá satisfazer aqueles que já estão cegos pelas linhas carregadas de machismo e submissão de Stephenie Meyer. Apesar de tudo, é um final? Pode ser que sim, pode ser que não. A vida é eterna e, portanto, Meyer pode nos aterrorizar a qualquer momento com mais uma saga, como ela mesma não descarta. Mas este é um filme melhor do que os outros? Não há um melhor nesta saga. É a mesma coisa que dizer que ter um tumor benigno é melhor do que um tumor maligno. Nenhum dos casos é bom. A única coisa boa em Amanhecer – Parte 2 é que a partir de agora nunca mais veremos Edward e Bella nas telonas. Esperamos que este fim seja eterno.

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