Ted | Review

Ted
EUA, 2012 – 106 min
Comédia

Direção:
Seth MacFarlane
Roteiro:
Seth MacFarlane, Alec Sulkin, Wellesley Wild
Elenco:
Mark Wahlberg, Mila Kunis, Seth MacFarlane, Joel McHale, Giovanni Ribisi

Protógenes Queiroz, sem querer querendo, acabou realizando uma campanha publicitária involuntária para o filme Ted. O deputado federal levou o filho de 11 anos para assistir ao longa dirigido por Seth MacFarlane, que tem classificação indicativa para maiores de 16 anos. Ainda assim, o também delegado da Polícia Federal achou que seria boa ideia. O que, obviamente, não foi, sendo que o filme traz consumo de substâncias ilícitas, palavras de baixo calão, um pouco de nudez e muita ironia. Tudo protagonizado por um ursinho de pelúcia – e esta é a principal reclamação dele.

O bafafá fez com que o filme subisse pra primeira colocação no ranking de filmes mais assistidos no Brasil na sua terceira semana em cartaz. Protógenes, na realidade, apenas criou uma piada a cerca de uma produção que já tem essa ironia impregnada em si. Ted é tudo o que o espectador poderia esperar de MacFarlane, criador de Family Guy (ou Uma Família da Pesada, em português).

MacFarlane tem o timing perfeito para jogar uma piada ácida, carregada com crítica e humor negro. A abertura do filme, aliás, é uma das melhores coisas já vistas no cinema neste ano. Ao menos, uma das mais hilárias. Nela, John (Mark Wahlberg), ainda é uma criança que nunca teve amigos. Em clima natalino, o menino ganha um ursinho de pelúcia dos pais. John é solitário e não larga o presente em momento algum. Por causa disso, ele deseja que o urso fale e seja o melhor amigo dele pra sempre. E como um milagre de natal, o desejo se realiza. As piadas começam a serem despejadas a partir daí. Afinal, tirar sarro de filmes natalinos já é o suficiente para comprar o ingresso.

Na vida adulta, Ted (voz do próprio MacFarlane) é um ser revoltado, que não quer nada com nada, apenas viver bebendo, fumando maconha, assistindo filmes dos anos 80 e ter relações sexuais. Inseparáveis, ele e John formam uma amizade forte, uma espécie de bromance. O que é um problema, já que John já passou dos 30 e sua namorada, Lori Collins (Mila Kunis), está cansada de ver o companheiro desperdiçando a vida ao lado do urso irresponsável. A grande questão é: vale mais o amor ou a amizade?

Ted aborda, de certa forma, uma realidade plausível. A maturidade tardia é cada vez mais comum e o personagem de Wahlberg consegue, com perfeição, traduzir o que ela é. Não saber pra onde ir, o que fazer, como fazer. John se prende ao passado e não consegue se desprender daquela realidade, da lembrança da juventude, da maneira de como ser irresponsável era permitido. Talvez isso seja reflexo da falta de amigos na infância, o que poderia ter causado essa necessidade de viver a imprudência como não tivera oportunidade mais cedo. Seja lá qual for a resposta, a questão é que Ted exemplifica a situação de maneira escrachada e bem humorada, ao mesmo tempo em que a critica ferrenhamente. Isto é demonstrado demonstrado com o desenrolar da trama, através das consequências dessas atitudes livres de discernimento.

Como já é de praxe em Family Guy, o espectador também pode esperar tudo de Ted. MacFarlane não poupa nenhum palavrão em seu estoque. Ele consegue fazer com que certos clichês dêem certo e que coisas manjadas do cinema, como o próprio milagre natalino, sejam zoadas ao extremo. As situações mais absurdas acontecem, seja com um psicopata (Giovanni Ribisi, perfeitamente insano no papel) atrás do urso, uma Norah Jones (sim, a cantora) desbocada e pervertida, cenas de sexo entre um ursinho de pelúcia e uma mulher, Flash Gordon, fezes humana no chão da sala, entre diversas outras cenas desprovidas de qualquer vergonha.

Ted é uma das melhores comédias do ano, seja por suas ideias malucas, sua boca suja, por suas interpretações engraçadíssimas, o roteiro afiado ou até mesmo pelo papel de bobo interpretado por Protógenes Queiroz.

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