Os Mercenários 2 | Review

The Expendables 2
EUA, 2012 – 103 min
Ação

Direção:
Simon West
Roteiro:
Richard Wenk, Sylvester Stallone
Elenco:
Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Ludgren, Chuck Norris, Jean Claude Van Damme, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Terry Crews, Randy Couture, Liam Hemsworth, Scott Adkins, Amanda Doms, Charisma Carpenter, Nan Yu

Sylvester Stallone tinha a ideia de reunir todos os astros de filmes de ação em um só longa-metragem. Desde o início, a ideia dele não era se levar tão a sério. Os Mercenários já trazia ação desenfreada e muitas referências aos longas do gênero da década de 80 e 90. Mas Stallone não estava satisfeito e queria mais. Além do pessoal que participou do primeiro (exceto por Mickey Rourke), o astro de Rambo e Rocky elenca Jean Claude Van Damme, Arnold Schwarzenegger e Chuck Norris.

Nem no sonho mais louco de um fissurado de filmes de ação haveria uma reunião dessas. Mas Stallone conseguiu reunir todo mundo que lhe veio à cabeça e que marcou o gênero. Uma pena, porém, que estes astros estejam longe do seu auge físico. O próprio Stallone participa de pouco corpo a corpo, utilizando bem mais o auxílio de armas do que no anterior. Os Mercenários 2, na realidade, parece um asilo muito louco de brutamontes. Schwarzenegger, que um dia fora Mister Universo, hoje não ostenta um físico e tampouco pique para este tipo de filme. A ação que o envolve é apenas com ele segurando uma metralhadora. Com Chuck Norris não é diferente. Dito isso, será que vale mesmo a pena pagar o ingresso para ver astros que já passaram da idade de fazer este tipo de produção?

A resposta é que se tem alguma coisa que faça o expectador a sair de casa para enfrentar a sessão de cinema, é a reunião épica dos astros. E só. Mesmo debilitados, ainda causa um frisson vê-los reunidos em um único filme, ainda mais quem viveu nos anos 90 vendo as sessões das tardes e noites estreladas por estes caras. Contudo, tudo o que há no restante de Os Mercenários 2 é dispensável ao espectador. Se há um ponto positivo é o fato de o longa não se levar a sério. Ao menos, eu espero que esta tenha sido a intenção, porque há momentos risíveis, que não só beiram, como alcançam o ridículo.

O longa começa com muita ação, sem lá muita explicação. Em dez minutos, Jet Li sai de cena pra não voltar mais. Vai entender… A partir daí é que a trama começa a correr. O grupo de mercenários liderados por Barney Ross (Stallone) é recrutado por Mr. Church (Bruce Willis) para pagar a dívida que Ross deve à ele desde Os Mercenários. Eles estão atrás de uma caixa que possui um mapa com a localização de uma quantidade perigosa de plutônio (cerca de 5 toneladas, um dos exageros do roteiro). Ross e seus colegas Lee Christmas (Jason Statham), Hale Caeser (Terry Crews), Toll Road (Randy Couture, sósia de Statham), Gunnar Jensen (Dolph Lundgren) e o Novato Billy the Kid (Liam Hemsworth), além de Maggie (Yu Nan), enviada por Church, partem em busca da caixa antes que elas caiam em mãos erradas.

Os clichês estão garantidos. Muitas explosões, sangue pra tudo quanto é lado, capangas burros que não acertam um tiro sequer, vingança motivando os mocinhos, um vilão com uma ideia absurda de destruir o mundo (e faturar milhões) e um interesse romântico entre o protagonista e a única mulher do elenco. Misture isso com efeitos especiais ruins, alguns dos piores diálogos do século e uma direção de fotografia péssima. Se você achou já sentiu vergonha vendo algum dos filmes da lista negra de Adam Sandler, Os Mercenários 2 reserva frases que causam bem mais constrangimento. O diretor de fotografia merece um prêmio por não saber o que está filmando. Há cenas granuladas, em outras nem é possível ver a cara do personagem de tão escuro que o ambiente está. Mesmo quando as filmagens são externas, em plena luz do dia, é desconfortável assistir ao filme por causa da escuridão na fotografia. Acho que dava pra comprar um fotômetro com o orçamento do longa-metragem.

Os Mercenários 2 não é tão divertido quanto o primeiro, que apesar de se levar um pouquinho mais a sério, ainda mostrava que os astros veteranos davam conta do recado, o que já não acontece mais. Vale apenas ressaltar dois itens. A primeira são as cenas de ação protagonizadas por Jason Statham. Este ainda tem muita lenha pra queimar. E a segunda são as brincadeiras com o fenômeno da internet sobre o Chuck Norris Facts. Tirando isso, o filme se resume em quatro frases que fazem parte do próprio roteiro. A primeira é dita por Schwarzenegger em sua primeira aparição no longa: “Isso é embaraçoso”, e Terry Crews devolve dizendo: “Claro que é”. A outra é disparada por Stallone: “O lugar disso é num museu”, e Bruce Wiilis responde à ele: “Todos nós pertencemos”. A intenção era fazer piadas através destes diálogos, mas eles são o resumo da vergonha que é para estes atores fazerem esta película.

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