Melhores da TV na Temporada 2011/2012

A lista mais trabalhosa que faço anualmente é esta. Com muito esforço, assisti tudo o que eu pude nesta temporada e fiz de tudo para entregar um artigo decente sobre o que houve de melhor na temporada 2011/2012 na televisão. Nesta votação, contei com a ajuda Mateus Borges e Lucas Paraizo na eleição dos escolhidos. Haverá contestações (inclusive dos próprios votantes), é claro, mas é assim que tem que ser. Toda opinião é subjetiva, portanto, um ou outro pode não agradar você, leitor. Contudo, para nós, os citados logo abaixo são os melhores. Lembrando que a ordem deles é aleatória (ou não) e entraram aqui as séries que foram exibidas entre o período de junho de 2011 e maio de 2012. Pronto, agora pode conferir!

ATRIZ COADJUVANTE

Christa Miller (Cougar Town)
Cougar Town
não é a série de Courtney Cox. Muita da graça da série se deve à Christa Miller, sempre louca por uma taça de vinho e sedenta por uma ironia suave. Destacando-se desde a primeira (e fraca) temporada, ela ganha cada vez mais destaque e ainda melhora conforme a série evolui, constantemente disposta a ser malvada com as pessoas.

Jessica Paré (Mad Men)
Quem diria que a secretária de Don Draper (Jon Hamm) teria a relevância que tem nesta quinta temporada? Jessica Paré começou o ano surpreendendo como Megan, recém-casada com Don. Se deveria ser a esposa, totalmente coadjuvante (como January Jones se tornou), ela se tornou uma das peças fundamentais da temporada, mostrando pela primeira vez que alguma mulher pode domar o mulherengo, além de ser adorável em diversos níveis e ter seus pontos altos nas brigas com o maridão. Uma atuação surpreendente para uma revelação. E quem a viu cantar “Zou Bisou Bisou”, jamais irá esquecê-la.

Julie Bowen (Modern Family)
Todos têm problemas sérios em Modern Family, mas certamente a figura mais perturbada psicologicamente é Claire Dunphy. Ao lado de Phil (Ty Burrell) e seus filhos em cena, Claire se torna cada vez mais obcecada por controle e deixa seus tiques nervosos falarem mais alto do que nunca, chegando a se candidatar à vereadora da cidade só porque quer colocar uma placa de “pare” no cruzamento de sua rua. Em mais uma temporada de altos e baixos, Bowen é sempre um deleite a parte em Modern Family.

Gillian Jacobs (Community)
Britta, a personagem de Gillian Jacobs, nunca fora uma de minhas favoritas na série. Entretanto, assim como a série, nesta terceira temporada ela parece ter ligado o botão de “dane-se” e foi a fundo na maluquice. Jacobs se torna hilária, sendo nos momentos em que envolvem romance com seu jeito contraditório de gostar de alguém, seja quando chama a responsabilidade para si tentando mostrar que a mulher tem poder (menos ela, aparentemente), e especialmente quando tenta mostrar seus dotes de estudante de psicologia. Sua participação é irretocável nesta temporada e garante boas – e muitas – risadas.

Christina Hendricks (Mad Men)
Joan é o calor humano no meio da redação de publicitários boêmios e autodestrutivos. Em uma temporada onde a evolução dos personagens foi ainda mais acentuada do que nas anteriores, Hendricks é uma das figuras mais interessantes aqui. Ela passa pelo drama de ter sua separação confirmada, ser mãe solteira, aguenta as reclamações de sua própria mãe, a volta ao trabalho e a ascensão na empresa, mesmo tendo que tomar decisões difíceis para isso. Mas, afinal, quem não passa por sacrifícios? E não há uma carinha de choro tão convincente quanto a dela (e tão adorável também). Seja pela sua imagem (um colírio para os olhos), seja pelos seus dramas, a atuação de Hendricks é grandiosa, sendo o colorido no meio de um mundo preto e branco.

Anna Gunn (Breaking Bad)
Nas duas primeiras temporadas de Breaking Bad, Skylar era insuportavelmente chata e entediante. Com a virada na terceira temporada, a personagem cresceu na série e no quarto ano se fez um dos motivos para se assistir Breaking Bad. Além de ser mãe em tempo integral, agora ela ajuda Walter (Bryan Cranston) a encobrir os rastros de seu dinheiro sujo e luta para manter sua família em segurança. Da cara de preocupação que poucos conseguem fazer até as discussões com Walter, Anna Gunn torna-se irresistível e fundamental com sua atuação fantástica dentro desta temporada espetacular.

ATOR COADJUVANTE

Robert Sean Leonard (House)
Apesar de ficar um pouco escondido no meio da temporada, é na reta final que o Dr. Wilson ganha seu merecido destaque. O melhor amigo de House (Hugh Laurie) está com câncer e os últimos cinco episódios da temporada abordam o drama do único que sempre esteve presente na vida do médico rabugento. Estes episódios são o suficiente para provar que Robert Sean Leonard tem o que é necessário para comover o espectador e a explosão em momentos de tensão. Uma bela despedida para o personagem – e para a série.

Ty Burrell (Modern Family)
Phil Dunphy. É isso que tenho pra dizer. Quando todos em Modern Family deixam de ser engraçados, sobra para Ty Burrell e seu jeito único de fazer o público rir para resolver os problemas da série. Ele ainda tenta se enturmar com os filhos, tenta ser o melhor corretor de imóveis, tenta ser o melhor amigo do sogro, tenta ser o melhor marido pra si mesmo (já pra Claire, é contestável), tenta ser o amante ideal. Enfim, Phil tenta diversas coisas, mas o objetivo que ele verdadeiramente alcança são as risadas. Sua química com Julie Bowen está mais aguçada do que nunca e seu jeito bobo e inocente faz com que Modern Family tenha a graça que poucos programas conseguem ter.

Peter Dinklage (Game of Thrones)
De longe, o melhor personagem de Game of Thrones. Tyrion Lennister tem as melhores falas, cenas e atuação. O anão Peter Dinklage levou o Emmy no ano passado e não foi por acaso. Sua atuação é centrada, cercada por uma ironia deliciosa e com um tom de respeito imposto por poucos. Apesar de seu tamanho baixo, seu talento é gigante. Dinklage é a alma do negócio da série.

Jim Rash (Community)
Poucos sabem disso, mas o Reitor de Community é vencedor do Oscar. Mais especificamente, da categoria de melhor roteiro adaptado por Os Descendentes, filme estrelado por George Clooney. Mas isso é o menos relevante no momento. O que vale ressaltar aqui são as loucuras criadas pela performance desregulada de Jim Rash nesta terceira (e melhor) temporada da série. Com seu vestuário peculiar, suas ideias um tanto contestáveis para melhorias e integração na universidade, seu comportamento perante Jeff (Joel McHale), entre outras situações absurdas e fora do comum, Jim Rash é uma das peças fundamentais do sucesso deste ano que beira a perfeição em Community.

Nick Offerman (Parks and Recreation)
Apesar de ser subaproveitado neste quarto ano de Parks and Recreation, Nick Offerman ainda assim nos oferece momentos antológicos na pele de Ron Swanson. Sua seriedade excessiva, repugno pelo governo, amor por carne, amizade por sua equipe de trabalho, além do relacionamento problemático com sua outra esposa (Patricia Clarkson) fazem dele um dos melhores personagens da televisão atualmente.

Giancarlo Esposito (Breaking Bad)
Breaking Bad merecia um vilão a altura. E finalmente conseguiu. Giancarlo Esposito aparece pouco na terceira temporada, mas na quarta ele toma as rédeas e se mostra amedrontador sem disparar uma palavra sequer. Apenas seu olhar de moço bondoso é o suficiente para fazer o espectador ficar arrepiado com esta atuação fora do comum. A passividade e a explosão contida de Esposito são duas peças chaves para seu personagem, que raramente fala, e quanto o faz, dificilmente aumenta o tom da voz e mesmo assim consegue impor respeito, ordem e medo.

John Slattery (Mad Men)
Roger Sterling está melhor do que nunca nesta quinta temporada de Mad Men. Cada vez mais inútil no escritório, Roger vê Pete (Vincent Kartheiser) tomando o espaço que antes era seu. O que sobra para Roger é aproveitar a vida e não levar nada muito a sério. É isso que ele faz ao longo de toda a temporada: nada. John Slattery está numa performance engraçadíssima, especialmente na season premiere. Momentos como ele verificando a agenda dos seus companheiros, dando em cima de Joan (Christina Hendricks) e acompanhando a briga entre Pete e Lane (Jarred Harris) fazem com que sua presença nesta temporada seja memorável.

Aaron Paul (Breaking Bad)
Se Jesse era um marginal qualquer e muitas vezes imprudente nos outros anos, nesta temporada Aaron Paul pega sua performance espantosa em “Half Measures” e adiciona ainda mais força em sua atuação. Tendo que lidar com seus demônios internos após uma morte à sangue frio, Jesse tende a voltar ao fundo do poço, mas é aí que seu personagem ressurge e toma conta da série, de igual pra igual com Walter (Bryan Cranston). Os pontos mais altos de sua performance estão na reunião onde ele utiliza a metáfora de um cachorro para compartilhar que cometeu um assassinato; as brigas constantes com Walter (em especial, a ocorrida no penúltimo episódio); e seu desespero para salvar a vida de um menino. Paul está mais uma vez fervoroso, numa atuação que merece o reconhecimento das premiações, pois não houve coadjuvante melhor do que ele nesta temporada.

ATRIZ 

Zooey Deschanel (New Girl)
Um dos principais deleites da primeira temporada de New Girl é a simpática Zooey Deschanel. A série não é apenas sobre ela, já que seus companheiros de cena são tão bons quanto a própria. Mas definitivamente o seriado não funcionaria sem o jeito meigo, desengonçado, fofo e engraçado (de uma maneira única) de Deschanel. Sua personagem é uma mistura adorável e esquisita, que possui carisma e consegue ser genuína num mundo cheio de cópias das cópias. Desde sua inocência, passando pela facilidade com ela irrita seus companheiros, até a forma como ela se importa com as pessoas (especialmente seus amigos), Zooey conquista o coração do telespectador.

Mireille Enos (The Killing)
O trabalho de Mireille Enos é resumido na seguinte palavra: sutileza. Ela não é do tipo de policial que grita, tampouco impõe seu poder. Ela mantém o controle e fala com calma. Diante de todos os problemas que lhe aparecem, no meio de uma conspiração, a guarda do filho em jogo e um caso que parece impossível de ser resolvido, Sarah Linden respira e se alimenta da investigação. Sua obsessão pelo caso a leva à situações extremas, fazendo com que ela se perca e encontre-se sem saída. Enos entrega uma atuação contida, mas inquieta e poderosa. Não há nada melhor do que vê-la tomando controle e sorrindo para uma câmera de segurança. Seu ponto alto está localizado no episódio “72 Hours”, onde ela é presa em um hospital psiquiátrico e tem todas as condições de se provar uma ótima atriz – e ela prova isso.

Julia Louis-Dreyfus (Veep)
A atriz de Seinfeld e The New Adventures of Old Christine parece mais a vontade do que nunca. Talvez por estar num canal pago ela se sinta melhor por poder disparar os palavrões que sua personagem, a vice-presidente dos Estados Unidos, Selina Meyer, aprecia tanto emitir quando sua equipe não dá conta de ajudá-la como precisa e sua imagem diante do público fica cada vez pior. Julia interpreta essa política como deve ser. Cara de pau, ela usa a falsidade como poucos e está sempre de olho no que pode melhor beneficiá-la, contudo, sem ser corrupta ou maldosa. Ela apenas quer parecer bem na foto e espera pelo telefonema do presidente diariamente.

Elisabeth Moss (Mad Men)
Peggy já está há tanto tempo no meio dos homens de Mad Men que acabou se tornando um. Aos poucos, a maturidade da personagem vai evoluindo e cada vez menos ela suporta as grosserias de Don (Jon Hamm). Elisabeth Moss pode não aparecer tanto quanto na temporada anterior, mas quando aparece, é ela quem rouba a cena. Quando divide o quadro com Hamm, a tensão se instala e os melhores diálogos da série são disparados. A atuação é calculada com frieza e somente uma profissional competente, como é o caso de Moss, para trazer tanta qualidade para esta personagem, numa das melhores séries de todos os tempos.

Amy Poehler (Parks and Recreation)
O fio condutor de Parks and Recreation sempre foi Amy Poehler. Ela é a alma do negócio. Assim como a também egressa do Saturday Night Live, Tina Fey, Poehler trouxe à nós essa série de humor inocente, mas que não deixa de ser menos engraçada por causa disso. Nesta temporada, Leslie Knope luta para manter seu relacionamento, cuidar do seu departamento e ainda concorrer à eleição para a prefeitura de Pawnee. Com toda a sua doçura, excentricidade e determinação, Leslie é daquelas personagens que te conquista facilmente com sua ingenuidade e crença nas pessoas. Poehler mais uma vez segura a onda e carrega com garra a ótima série que é P&R.

Claire Danes (Homeland)
Confesso que uma série com Claire Danes como protagonista não me chamava muita a atenção. Até onde lembro, Danes nunca fora memorável no cinema. Por causa disso é que, talvez, ela tenha se descoberto no papel da agente Carrie Mathison. Traumatizada com a guerra do Iraque, obcecada pelo trabalho (e pelo seu investigado), carente e com problemas psicológicos seriíssimos, Danes vai da persistência em seu caso até seus surtos e desesperos. A atuação da atriz é uma das melhores coisas que já vi na televisão. Ela está literalmente surtada e é impressionante o que ela faz na pele desta personagem tão complexa e perfeitamente concebida. Além do mais, é uma figura feminina fortíssima, mostrando que é a vez das mulheres reinarem na tevê. A melhor atuação da temporada, tanto masculina quanto feminina.

ATOR 

Hugh Laurie (House)
Foram poucos os momentos de genialidade no último ano de House, uma das melhores séries já vistas na tevê. Mas quando teve chance, Hugh Laurie mostrou todo o seu talento na série. Com humor ácido, uma mente brilhante, um estilo rabugento e de poucos amigos, Laurie transita entre a ironia e a dramaticidade como poucos. Neste ano, é uma das poucas coisas que devem ser lembradas no derradeiro ano de House.

Dustin Hoffman (Luck)
Dustin Hoffman precisava de algo que relembrasse o grande ator que é. Afinal, qual foi a sua última boa atuação? Desculpa, mas desde Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família, não consigo pensar em um bom papel dele. No caso, porque o filme é uma das piores coisas de 2011. Por isso Chester “Ace” Bernstein era o papel que Hoffman precisava. Ele tem classe, possui um passado obscuro, consegue se ameaçador mesmo sem levantar seu tom de voz, mas quando se irrita, consegue ser ainda mais ameaçador. Retorno digno para o ator.

Benedict Cumberbatch (Sherlock)
Se Sherlock é uma das melhores séries da atualidade, Benedict Cumberbatch tem muito mérito nisso. Não é qualquer ator que consegue encarar com tanta perfeição o estilo deste Sherlock Holmes moderno escrito por Steven Moffat e Mark Gatiss. Benedict põe na tela um Sherlock genial, confiante, de fala extremamente rápida e precisa, com expressões (ou a falta delas às vezes) que fazem o espectador saber que está vendo alguém completamente único. E nesta segunda temporada o ator tem a chance de mostrar um lado mais confuso, quase “derrotado” do gênio, ao encontrar mentes quase tão brilhantes quanto a sua, ou ter um ataque de pânico em “The Hounds of Baskerville”. Em Sherlock, Benedict Cumberbatch brilha com genialidade, aumentando mais ainda a qualidade da série.

Jon Hamm (Mad Men)
Don Draper já não esconde mais segredos obscuros. Agora ele é um novo homem. Casado novamente. Um marido exemplar. Um pai mais presente. Um profissional mais do que qualificado. Apesar disso, o status quo, o equilíbrio, a rotina e a calmaria não são o suficiente para deixá-lo feliz. Draper está inquieto e prestes a explodir. Ao longo da temporada, acreditamos que ele conseguirá viver bem daquela maneira, até começar a bater de frente com sua esposa, Megan (Jessica Paré) e a chatice do escritório. Hamm encontra, mais uma vez, a sutileza necessária para transformar Draper em um dos melhores personagens da tevê nos últimos anos. Ainda que não tenha mais segredos que o assombre, Don continua um personagem intrigante e que pode explodir a qualquer momento. Essa linha tênue é trabalhada com primor por Hamm, mantendo a série num patamar tão alto quanto nos anos anteriores.

Damian Lewis (Homeland)
A ambiguidade na atuação de Damian Lewis é assombrosa. Afinal, Brody está de qual lado? A personagem de Claire Danes sofre para descobrir, assim como o telespectador, que mesmo quando sabe, não consegue julgá-lo. O sofrimento molda a personalidade do personagem, deixando cicatrizes tanto em seu corpo como em sua mente. Esta descrição é interpretada com perfeição por Lewis, que encontra numa figura tão ambígua uma forma de deixar-nos incapazes de culpá-lo por suas ações, de certo modo, justificáveis. Da perturbação, passando pelo medo e chegando à frieza, este é Brody.

Bryan Cranston (Breaking Bad)
O professor de química Walter White teve câncer e por ser orgulhoso ao extremo, preferiu fabricar metanfetamina ao invés de receber ajuda de amigos para pagar seu tratamento. Aos poucos, a desculpa de que ele fazia isso apenas para garantir a segurança de sua família após sua possível morte fica cada vez mais ultrapassada e difícil de acreditar. Nesta quarta temporada, não dá nem pra saber se o próprio Walter ainda acredita nisso. Mais alucinado e paranóico do que nunca, Bryan Cranston, que já estava ótimo nas outras temporadas, nunca esteve tão hipnotizante. Sim, ele tem medo de perder a sua família. No entanto, isso não é o suficiente para que deixe de “cozinhar”. Ele chega à um ponto onde não pode parar e para fazê-lo, só matando aquele que quer sua cabeça. Ele não admite, mas gosta do seu serviço. E o mais importante: ele gosta do poder e da adrenalina. A ganância acaba fazendo com que ele ultrapasse todos os limites entre o certo e o errado para manter a vida de seus familiares, a sua e ter o poder em suas mãos. Entre seus fortes diálogos com Skylar (Anna Gunn), Jesse (Aaron Paul) e Gus (Giancarlo Esposito), indo até os devaneios, brigas, desespero, surtos, anseios e atitudes controversas, Bryan Cranston entrega a melhor performance masculina da temporada. Uma atuação soberba, poderosa, impactante e surpreendente.

SÉRIE – COMÉDIA

Cougar Town
Ah, Cougar Town, como você deve se arrepender da primeira metade da sua temporada de estreia, não é mesmo? Uma série que surgiu para tratar do tema “Courteney Cox quarentona pegando homens mais novos”, mas que depois percebeu a besteira que tinha feito, mudou completamente o seu estilo e virou uma das melhores comédias da atualidade. Com um elenco sensacional, Cougar Town se transformou numa série, acima de tudo, sobre a amizade. Com aquele estilo de “humor bobo”, com pessoas bebendo vinho e fazendo besteiras, misturado com as cenas bonitas e emocionantes; estilo que deu tão certo na série anterior do seu criador, a maravilhosa Scrubs. Com seus drinking games, tramas bizzaras e cenas estúpidas que de alguma maneira conseguem sempre terminar em algo bonito, Cougar Town é uma das comédias mais divertidas e despretensiosamente interessantes da televisão atual.

Modern Family
Uma coisa me deixa triste em relação à Modern Family: a maneira como eles não conseguem manter a regularidade na série. O terceiro ano sofre do mesmo problema do anterior: ora é hilariante, ora é sem graça. Os personagens são ótimos e cada vez mais eles se aproximam de figuras do nosso cotidiano. É uma família de verdade, tão problemática quanto a minha e a sua. Ou um pouco mais. Há situações hilárias, como o passeio na fazenda, a relação de Jay (Ed O’Neill) com a cachorrinha Stella, os gritos de Gloria (Sofía Vergara), as trapalhadas de Phil (Ty Burrell), os chiliques cada vez mais agravantes de Claire (Julie Bowen) e o desempenho cada vez melhor das crianças. Infelizmente, a série dá brecha para alguns clichês e perde um pouco do seu brilho e originalidade que possuía nos dois primeiros anos, mas quando faz rir, ela faz o espectador cair na gargalhada.

Parks and Recreation
A melhor comédia da temporada passada perde o seu posto. É com pesar que digo isso. O quarto ano de Parks and Recreation não chega perto da genialidade das duas temporadas anteriores, mas ainda não perdeu o encanto. Quando quer, ela faz rir como poucas séries conseguem. Neste ano, a proposta é trabalhar em cima da candidatura de Leslie (Amy Poehler) para a prefeitura de Pawnee. A série toma um rumo menos engraçado e leva-se mais a sério do que deveria, deixando os coadjuvantes mais divertidos à deriva da candidatura. Ainda assim, não ficamos sem rir de Ron Swanson (Nick Offerman) e seu desprezo pelo governo e amor por carne, as trapalhadas de Jerry (Jim O’Heir), além do casal mais incomum da tevê formado pelo imaturo Andy (Chris Pratt) e a mal humorada April (Aubrey Plaza). O humor sutil, levemente sarcástico e quase inocente de Parks and Recreation continua atraente, mas precisa cuidar para que esta atração entre a série e o espectador não desapareça.

Veep
Mostrar a vida de um presidente? Por que fazer isso se podemos mostrar como é a vida de um vice? Tentando renovar suas comédias, a HBO lança um produto inteligente, sagaz e com humor refinado. Como de costume, o canal não cria sitcoms. Veep mostra o que acontece no gabinete e no dia a dia de Selina (Julia Louis-Dreyfus, ótima no papel), vice-presidente dos Estados Unidos. O retrato é de uma pessoa com boas intenções, mas que não sabe muito bem o que está fazendo, sempre precisando da ajuda de seus assessores e assistentes, esperando pelo dia em que o presidente irá ligá-la. Com muita cara de pau, ironia e crítica ao universo político, Veep mostra-se uma comédia que alimenta bem o cérebro, diverte e ainda faz rir.

New Girl
Zooey Deschanel já seria motivo suficiente para que alguém assistisse New Girl. Sinceramente, sua participação em uma série me chamou atenção e por isso decide assistir ao piloto. Felizmente, ela não é a única razão de conferir o seriado. O programa me proporcionou diversas risadas e algumas gargalhadas. Apesar de não ter uma história tão bem orquestrada, as situações fora do comum, os diálogos sem noção e personagens malucos, com características bem definidas e capazes de fazer o mais sisudo rir, tornam New Girl uma das comédias mais deliciosas dessa temporada.

Community
A pergunta é: o que Community não fez nessa terceira temporada? Eu, sinceramente, não sei dizer. O criador e roteirista Dan Harmon ligou o botão “dane-se” e mandou ver nas maluquices. Se antes a série tinha um pezinho na mania de criar lições de moral à la Disney, agora isso é algo distante. Os personagens estão mais confortáveis do que nunca, cada vez mais insanos e passando por situações que ultrapassam a barreira do absurdo e do mundo real. O elenco está afiadíssimo, da mesma forma em que o roteiro está mais ácido e recheado de referências à cultura pop. Sociedade secreta do ar condicionado, crianças como seguranças do campus, realidades paralelas, contos de terror, karaokê, filmagem documental, fortes de travesseiros e cobertas, especiais de Law & Order, investigação noir e em animação 8-bit. Isso é apenas uma parcela do que Community fez nesta temporada. A série arriscou mais do que nunca, surtou de vez e entregou ao espectador a melhor comédia da temporada.

SÉRIE – DRAMA

Game of Thrones
O principal motivo de Game of Thrones figurar entre os melhores dramas da televisão é por causa de sua produção estupenda, digna de filme blockbuster. A HBO sempre prezou por programas de qualidade e Game of Thrones está dentro deste patamar. Este segundo ano não é tão bem amarrado, tampouco empolgante e interessante quanto o primeiro, mas consegue impressionar por todos os quesitos técnicos, além de bons diálogos, atuações dentro da média e a grande batalha de Blackwater, ápice desta temporada.

The Killing
Certamente você já ouviu pessoas reclamando de séries policiais, que nunca se aprofundam em um caso, fazendo com que eles sejam apenas passageiros, um por episódio. Pois bem, The Killing veio para mudar isso. Num formato diferente do que a maioria está acostumado a ver, a série foi um baque para o público. Uns amaram, outros detestaram. Quando a primeira temporada chegou ao fim e não foi revelado o assassino de Rosie Larson, daí mesmo que muita gente se revoltou. Apesar de os primeiros episódios deste segundo ano terem um ritmo muito lento, em que pouca coisa acontece na investigação, The Killing volta a se tornar forte lá pelo meio da temporada e prova que a técnica de mostrar a investigação criminal, dia após dia, trazendo os dramas dos investigadores, suspeitos e dos familiares da vítima traz resultados positivos e criam situações de densidade que um CSI da vida jamais terá.

Sherlock
Criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, baseada nos contos de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock pode ser facilmente descrita como uma das séries mais geniais da televisão atual. Moffat e Gatiss são dois ícones da TV britânica, e nos seis episódios de 90 minutos que a série teve até hoje (três em cada temporada), mostraram tudo que sabem. Com uma trama super envolvente, inteligente, cheia de diálogos rápidos e fascinantes, a série consegue mostrar Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) e seu parceiro John Watson (Martin Freeman) na Londres atual de uma maneira incrível. Os casos baseados nas obras de Conan Doyle tomam ares modernos e são adaptados perfeitamente. Cada episódio é uma experiência única, com um roteiro de tirar o fôlego, reviravoltas, vilões brilhantes e casos solucionados com uma genialidade que só podemos esperar de Sherlock Holmes. O terceiro episódio da segunda temporada, “The Reichenbach Fall”, é sem dúvida alguma um dos melhores episódios de qualquer série que já vi na minha vida.

Mad Men
Falar que Mad Men é genial já virou clichê. Por mais que isso seja, não deixa de ser verdade. A série não é apenas competente em retratar com fidelidade o cenário estadunidense dos anos 60. Acima de qualquer simbolismo que a série possa trazer, seu principal trunfo é trabalhar como ninguém os personagens. Pra quem nunca assistiu a série, ver um episódio perdido seja da terceira, quarta ou quinta temporada, certamente não irá se interessar por ela. Isto porque a história isolada pouco faz sentido para quem está de fora. Já para aqueles que acompanham Don (Jon Hamm), Peggy (Elisabeth Moss), Roger (John Slattery), Pete (Vincent Kartheiser), Joan (Christina Hendricks), entre outros, Mad Men é inigualável. A cada temporada presenciamos a evolução destas figuras e aprendemos, então, a nos importar. Nesta temporada temos Don tentando ser um bom marido para Megan (Jessica Paré) e se afastando do feeling de trabalhar em sua agência. Todos começam a perder o interesse em algo e buscam em outras coisas o prazer de viver. É cada um por si, tentando descobrir uma nova razão para levar sua vida adiante. É nesta busca por algum sentido que Mad Men nos mostra novamente como se faz uma série, baseada unicamente em seus personagens e seus dramas.

Breaking Bad
Se a terceira temporada já tinha mostrado a ótima série que Breaking Bad poderia ser, a quarta mostra que Breaking Bad pode ser excelente. Todos os elogios que você já leu ou ouviu sobre o seriado são verdadeiros. O principal slogan da AMC (canal exibidor) anuncia que a “história importa aqui”. Desde o primeiro ano somos jogados para o mundo de Walter (Bryan Cranston) e Jesse (Aaron Paul) e aprendemos a conviver com estes personagens. Acompanhamos o rumo que suas vidas tomaram e nesta temporada eles estão à beira do abismo. A cada episódio, Walter se envolve em uma nova enrascada. A saga pela sobrevivência tanto dele quanto a de sua família tomam rumos inesperados e a paranoia aumenta a cada instante, em que tanto a vida dele quanto a de qualquer outro familiar pode chegar ao fim. É incrível como os roteiristas costuram essas histórias, em que Walter se envolve em um problema pior do que o outro, pratica atos cada vez mais contundentes e vai trilhando um caminho de onde fica dificílimo sair conforme o tempo passa. O poder sobe à cabeça e nós, telespectadores, conferimos uma das melhores performances que a televisão já teve com Cranston, além de um elenco de coadjuvantes excepcional. Breaking Bad é inteligente, provocante, surpreendente e brilhante. Entre o drama, ação e humor negro, a série proporciona uma temporada impecável, com episódios de explodir a mente e que mantém o clima de tensão do primeiro ao último capítulo.

Homeland
Graças ao canal Showtime, este pode ser o primeiro ano em que não há um representante da televisão aberta na disputa de melhor série dramática no Emmy. O canal proporcionou ao espectador uma das melhores estreias do ano. E não só isso. Homeland se prova uma das melhores séries da temporada. Podemos dar crédito ao elenco estupendo, encabeçado por um ambíguo Damian Lewis e uma surtada Claire Danes, nas atuações de suas vidas. Também é possível dar crédito aos roteiristas, indo direto ao assunto, trazendo sempre algo de concreto nos episódios, sem enrolar, com diálogos ricos e reviravoltas surpreendentes. Deve-se crédito para a direção dos episódios, conduzidos com maestria, balanceando a paranoia, dando profundidade para os personagens e sem julgar seus atos (terroristas ou não) ou tomar partidos políticos. É um retrato pós-11 de setembro eficiente e que magnetiza a atenção do espectador do primeiro ao último episódio. Homeland é o exemplo de série irretocável e que sabe como contar uma história.

Todos os textos por Rodrigo Ramos, exceto “Sherlock, Cougar TownBenedict Cumberbatch (Sherlock)“, por Lucas Paraizo.

Fizeram parte desta eleição: Rodrigo Ramos (@xtraga), o estudante de Jornalismo Lucas Paraizo (@lucasparaizo) e o colunista do site Série Maníacos Mateus Borges (@mateusb).

Fotos: Showtime, AMC, HBO, BBC, ABC, FOX, NBC.

Confira também a lista dos melhores da TV da temporada 2010/2011 clicando AQUI.

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