Os Melhores Episódios de House

Por Rodrigo Ramos

Desde 2004, quando estreou no dia 16 de novembro, foram oito temporadas divididas em exatos 176 episódios, faturando 42 prêmios, dentre eles dois Globos de Ouro e cinco Emmys. Além disso, House entrou para o Guiness Book como a série de maior audiência ao redor do globo. Pode-se dizer que a série foi bem sucedida nos anos em que esteve no ar e conseguiu tanto o prestígio da crítica quanto o apego do público. Ao longo de suas temporadas, House teve episódios sensacionais, com direto a muita emoção e casos médicos de quebrar a cabeça. Não foi fácil selecionar apenas alguns episódios, mas nossa produção (os jornalistas Rodrigo Ramos, Lucas Paraizo e Cristóvão Vieira) buscou fundo na memória e selecionou os pontos mais altos e relevantes dos oito anos do seriado.

S01E21: Three Stories

Stacy (Sela Ward), ex-esposa de House (Hugh Laurie) surge pela primeira vez na série pedindo que ele trate seu atual marido. Enquanto isso, House é colocado pra dar aula à uma classe de estudantes de medicina. O médico lança três casos onde os pacientes possuem dor na perna e os alunos precisam desvendar o mistério.  Este episódio ditou o que viria pela frente nas temporadas consequentes. David Shore ganhou o Emmy de melhor roteiro pelo episódio que revela partes importantes do passado do médico, além de ser um capítulo muito bem arquitetado. Um dos exemplos de episódios irretocáveis da série.

House - Three Stories - S01E21

S02E20 / S02E21: Euphoria (Part 1 and Part 2)

Neste episódio duplo, um policial chega ao hospital com sintomas de euforia, incluindo risadas incontroláveis. Enquanto a equipe tenta descobrir o que está causando isso, Foreman (Omar Epps) também começa a apresentar os mesmos sintomas do policial. Os episódios são dramáticos, quase beirando o desespero. Vale a pena pelo diálogo quase mórbido entre Cameron (Jennifer Morrison) e Foreman, e as ideias loucas de House.

S02E24: No Reason

Em seu primeiro season finale impecável, House leva um tiro do marido (Elias Koteas) de uma ex-paciente e acorda dias depois, na cama do hospital. O médico perde sua dor na perna ao mesmo tempo que começa a perder sua habilidade de pensar brilhantemente, fazendo-o questionar o que há de errado ali. Um dos melhores roteiros da série e uma das melhores atuações de Hugh Laurie. O final é de deixar o queixo caído com tamanha genialidade.

House  S02E24 No Reason

S03E12: One Day, One Room

Este é um dos poucos episódios em que House não trata alguém com uma doença quase inexplicável. A simplicidade é que conquista o espectador aqui. Sendo obrigado a cumprir horas na clínica, House e Cuddy (Lisa Edelstein) começam a fazer apostas. No meio disso, uma paciente grávida e vítima de estupro quer ser tratada pelo médico, mas ele se recusa pelo fato de ela “só” ter sido estuprada e não apresentar uma doença de verdade.  A mulher (Katheryn Winnick) insiste em querer House por perto, sem nenhum motivo aparente, apenas para conversar. Enquanto isso, Cameron pega um caso de um homem que acredita que merece morrer e prefere sofrer a ser tratado. O episódio, dirigido por Juan Campanella (diretor de O Segredo dos Seus Olhos), é bem dosado na comédia e no drama, além de ter diálogos fervorosos em questão de crenças entre a paciente e House, revelando até uma parte do passado dele (ou não) da qual ninguém sabia. Vale ressaltar que este foi o capítulo de maior audiência da história da série, com 27.34 milhões de espectadores.

House S03E12 One Day One Room

S03E24: Human Error

Este episódio, além de contar com um caso intrigante, marca o final de uma era do seriado com a saída da equipe médica formada por Foreman, Cameron e Chase (Jesse Spencer).

House S03E24 Human Error

S04E11: Frozen

Uma psiquiatra (Mira Sorvino) está presa numa expedição no Pólo Sul e precisa de atendimento médico. Ninguém melhor do que House para fazer um atendimento há milhares de quilômetros de distância. O mais interessante é que apesar da distância, a Dra. Cate Milton é uma personagem que bate de frente com House. Ela não obedece cegamente aos mandos dele, utiliza o sarcasmo como ele e acaba se aproximando do médico como poucas figuras conseguiram ao longo da série, o que é um tanto irônico sendo que ela está na outra extremidade do globo. Além da química entre os dois, o caso médico (fio condutor da trama) é muito bem trabalhado, tanto em sua forma quanto na prática, e envolve o espectador. Um episódio diferente e que prova como a série se sai bem quando foge um pouco do seu normal.

S04E15 / S04E16: House’s Head / Wilson’s Heart

O season finale duplo da quarta temporada certamente está marcado como um dos melhores episódios da televisão americana. Em “House’s Head”, o protagonista acorda num bordel, confuso, tonto e com a cabeça sangrando. Ao sair do estabelecimento, ele vê um ônibus tombado na rua. Ele acredita que o acidente tem relação com algum sintoma que um dos passageiros apresentou. A mente dele vai lhe dando pistas e aos poucos ele vai desvendando o segredo por trás do acidente. “Wilson’s Heart” está intimamente ligado com o episódio anterior. Ao descobrir que a pessoa que sua mente estava lhe dando pistas é Amber (Anne Dudek), namorada de Wilson (Robert Sean Leonard), House tem que correr contra o tempo pra tentar salvá-la e manter sua amizade com o amigo. Não há nada que não seja genial nestes dois episódios. Se o primeiro nos ganha pelas charadas ao melhor estilo Sherlock Holmes, com um roteiro impecável e uma edição fenomenal, o segundo ganha por atuações e situações emocionais, além de mais um roteiro irretocável. Isso tudo dirigido com maestria por Greg Yaitanes (vencedor do Emmy de melhor direção por este episódio) e Katie Jacobs, respectivamente.

House - House's Head - S04E15

S05E04: Birthmarks

A relação entre House e Wilson foi sempre um dos elementos que mais funcionaram na série. Neste episódio, com a morte do pai do primeiro, ele é obrigado a ir ao funeral. Para acompanha-lo, Wilson é escalado – mesmo contra sua vontade. Além de sabermos um pouco da família do protagonista, ainda descobrimos a história de como os amigos se conheceram. Ótimo momento para Robert Sean Leonard brilhar ao lado de Hugh Laurie.

S05E23: Under My Skin

Uma bailarina (Jamie Tisdale) sofre com o colapso de seus pulmões durante um ensaio. A equipe de House diz que ela pode nunca mais dançar. E para piorar, sua pele começa a cair. Se isso já não fosse problemático o suficiente, House precisa lidar com sua alucinação constante (interpretada por Anne Dudek, como Amber, perfeita na função). Mesmo com a ajuda de Wilson, House começa a lidar com situação de formas um tanto contundentes. Mais uma vez, o brilhantismo da série dá as caras por aqui.

House S05E23 under My Skin

S05E24: Both Sides Now

Como de praxe, mais uma season finale inesquecível e irretocável. Aqui, a equipe de House trata Scott (Ashton Holmes), um paciente que não tem controle sobre si, pois as duas partes de seu cérebro estão lutando para tomar conta do corpo. Como consequência, ele não consegue controlar seu braço esquerdo. Ao mesmo tempo em que a equipe médica tem que achar uma resposta para o caso mais do que estanho, House está feliz por ter largado as drogas e ter passado uma noite de sexo com Cuddy. House conta para Wilson, que fica surpreso. Mas Cuddy ignora House e a noite passada, então o médico faz de tudo para chamar a atenção dela. Entre momentos hilários de House tirando Cuddy do sério, dele contando o ocorrido para Wilson, passando pelo intrigante caso médico e a descoberta final, onde o protagonista se encontra no ápice de sua paranoia e é levado para o hospício, “Both Sides Now” está entre os cinco melhores episódios da série. Ah, e também temos o casamento de Chase e Cameron.

S06E01/02: Broken

Genial. Isso resume o melhor início de temporada do seriado. Numa clara referência à Um Estranho no Ninho, o episódio duplo, quase uma espécie de filme, se encontra fora do lugar comum. Começando com a trilha de “No Surprises” do Radiohead, somos levados para o Hospital Psiquiátrico Mayfield, onde House está no programa de desintoxicação. O médico começa desafiando o sistema, mas aos poucos vai se conformando com o lugar. Ele é tratado pelo Dr. Darryl Nolan (Andre Breaugher), com quem trava ótimos diálogos. House também cria uma amizade – mesmo que irritante – com Alvie (Lin-Manuel Miranda) e se aproxima de Lydia (Franka Potente), visitante frequente do local, por quem acaba criando um vínculo emocional mais forte do que está acostumado a ter. Todo o episódio é em torno do hospício e da recuperação de House, onde nenhum outro personagem recorrente da série aparece. Nem é preciso. O episódio é fantástico e mostra diversas nuances do protagonistas que ou foram poucas exploradas até aqui, ou não tinham sido abordadas ainda. Entre risadas e lágrimas, “Broken” também está entre os cinco melhores episódios do seriado.

House - Broken - S06E01

S06E04: The Tyrant

Já de volta ao hospital, House ainda não conseguiu chamar de volta sua última equipe. Por isso, ao seu lado está a antiga formada por Chase, Foreman e Cameron. No caso deste episódio, a equipe tem uma situação controversa nas mãos: tratar um ditador africano chamado Dibala (James Earl Jones, a voz marcante de Darth Vader) que acaba ficando doente nos Estados Unidos, onde estava para fazer um discurso. O político já matou diversas pessoas, incluindo crianças, o que deixa a situação ainda mais na linha tênue entre a ética profissional e a da justiça. “The Tyrant” é o tipo de episódio em que a série te coloca pra refletir. O roteiro, afiadíssimo, conta com várias filosofias e valores, contestáveis ou não. Os diálogos são amostras de perfeição, contando com uma participação excelente de James Earl Jones, além de uma atuação surpreendente de Jesse Spencer. Edição, fotografia e direção perfeitas. As atitudes de Chase o mudam completamente, quando percebe que está ficando cada vez mais parecido com o chefe, além de mudar seu rumo, pois o falso tratamento dele acaba matando o ditador, e ao descobrir a ação, Cameron resolve lhe deixar – e a série também.

House S06E04 The Tyrant

S06E22: Help Me

Um prédio vem a baixo e a cidade inteira se mobiliza para ajudar os acidentados. House, Cuddy e uma equipe médica vão até o local para ajudar os feridos. É um verdadeiro caos. House precisa atender vários pacientes, incluindo uma mulher (China Shavers) embaixo dos escombros, de difícil acesso. House precisa tomar decisões difíceis, incluindo convencer a mulher que ela precisa deixar que amputem uma de suas pernas para que ela tenha chance de sobrevivência. É uma situação complicada para o médico, já que preferiu viver sua vida com dor ao invés de cortar uma de suas pernas. Ao mesmo tempo, House ainda sofre com a tentação de voltar para o Vicodin. Ótimos momentos, mais uma atuação de arrasar de Hugh Laurie e um final doce para o médico – finalmente!

House S06E22 Help Me

S07E13: Two Stories

Para que Rachel (filha de Cuddy) seja aceita em uma escola, House topa participar do dia da carreira, mas suas histórias vão longe demais, incluindo ser medicamente explícito e utilizando suas filosofias um tanto questionáveis, especialmente para crianças de quinta série. Por causa disso, ele é levado à direção da escola, enquanto dois estudantes (Austin Michael Coleman e Haley Pullos) conversam com o médico e tentam lhe mostrar como expressar seus sentimentos por Cuddy e o motivo pelo qual ela está braba com ele, mais uma vez. Neste episódio, a série surta do melhor jeito possível. São várias as referências a alguns filmes, incluindo uma excelente cena a la Pulp Fiction. Os flashbacks são muito bem trabalhados, além de diálogos afiados entre as crianças – ótimas! – e Hugh Laurie e um trabalho de edição louvável. Mais um episódio memorável e agradável.

House S07E13 Two Stories

S07E22: After Hours

Após descobrir que o remédio experimental que estava tomando para consertar sua perna causa tumor, House toma uma atitude arriscada: praticar uma cirurgia para tirar os pequenos tumores de sua perna na banheira de sua casa. Enquanto isso, uma amiga (Amy Landecker) da época de prisão de Thirteen (Olivia Wilde), uma consumidora de drogas, aparece em seu apartamento após ter sido esfaqueada. Ela se recusa a ir até o hospital, pois está fugindo da polícia. Para ajuda-la, Chase é chamado. Em outro arco, Taub (Peter Jacobson) recebe notícias que mudarão sua vida e quase é assassinado por uma prostituta. São três arcos interessantíssimos, cada um com sua particularidade. Com a fotografia sombria, fica ainda mais fácil ditar o clima de tensão do episódio. Os dois primeiros arcos são fortes, com muitas problemáticas e atuações acima da média. Tudo o que a série já se mostrou competente pra fazer e continuou fazendo até aqui. O episódio termina com aquela cena linda ao som de “Flume” do Bon Iver, com todos trabalhando normalmente na mesa após uma noite maluca.

S07E23: Moving On

Uma artista (Shohreh Aghdashloo) que deixa todos lhe maltratarem durante suas exibições. Desde tintas, até gasolina e fogo. Durante uma de suas exibições, ela passa mal e começa a ser tratada pela equipe de House. No entanto, a mulher começa sua nova obra de arte ao criar seus novos sintomas, dificultando as coisas para a equipe que não consegue adivinhar qual a verdadeira doença com tantas falsas encobrindo-a. House se recupera da cirurgia e promete que irá fazer grandes mudanças em sua vida. É nessa liberação de raiva e em busca de outros caminhos para sua vida é que House pira – e, dessa vez, não é por causa das drogas. O episódio, dito como desnecessário por alguns, ditou a mudança de ares na temporada seguinte. E, convenhamos, quem não comentou por semanas qual seria o motivo pela loucura de House ao entrar na sala de jantar de Cuddy com seu carro? Pra mim, um season finale no nível dos demais. Ou seja, genial.

House S07E23 Moving On

S08E22: Everybody Dies

O último episódio da série não foi o mais genial. Ela já teve episódios melhores (assim como temporadas também), mas com certeza a fechou com a dignidade merecida. House alucina mais uma vez, entre a vida e a morte. A mente de House tenta compreender o que houve para leva-lo até aquela situação a partir de suas alucinações, fruto de sua mente, sendo interpretados pelos rostos de Amber, Kutner (Kal Penn), Cameron e até mesmo Stacy. Ao mesmo tempo, Wilson tenta descobrir o paradeiro de seu melhor amigo. Há ótimos momentos, sendo em algumas frases bem sacadas, o funeral e o final a la Sherlock Holmes, respeitando uma das inspirações da série. E o término vem com aquele gosto agridoce, de saudade, mas também de satisfação.

11 comentários

  1. O roteiro mais bem escrito na minha opinião foi Autópsia (segundo episódio da segunda temporada). A cena da drenagem de sangue é uma das mais arrepiantes da série, totalmente carregada nas costas por Hugh Laurie, mas de todas as elencadas aqui, a melhor é Broken. Muito bacana o site, abraços!

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  2. o segundo episodio da segunda temporada pra mim foi o melhor de toda a serie se tratando de salvar uma vida… esses episódios ai priorizaram mais a parte sentimental, mas em relação aos casos super bizarros e as decisões loucas do house, como o da autopsia? deveria fazer um top 10 disso :D

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  3. Estou na quarta temporada. E o que mais me marcou até o momento foi o terceiro episódio da terceira temporada ‘informed consent’. O final quando o House da á notícia ao paciente que sua doença é terminal é emocionante.

    House: “You have amyloidosis. It’s in your lungs, kidneys, bone marrow and brain.”
    Powell: “Why should I believe you now?”
    House: “If I was lying, I wouldn’t tell you the subtype was AA. It’s terminal.”

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