Homeland – Primeira Temporada | Review

Homeland: Season One
EUA, 2011
Drama / Policial

Criado por:
Howard Gordon, Alex Gansa
Elenco:
Claire Danes, Damian Lewis, Morena Baccarin, David Harewood, Diego Klattenhoff, Jackson Pace, Morgan Saylor, Mandy Patinkin

Prêmios:
Globo de Ouro de melhor série dramática e atriz dramática (Claire Danes)
Writers Guild Award de melhor nova série e melhor roteiro de episódio dramático

Guia de Episódios:
1×01: Pilot
1×02: Grace
1×03: Clean Skin
1×04: Semper I
1×05: Blind Spot
1×06: The Good Soldier
1×07: The Weekend
1×08: Achilles Heel
1×09: Crossfire
1×10: Representative Brody
1×11: The Vest
1×12: Marine One

Séries de investigação. O quão piegas elas já se tornaram? Há muitas boas, é verdade. A recente The Killing se mostrou uma das maiores surpresas de 2011, mas tem sido difícil peneirar uma boa no meio de tantas genéricas. Eis que o Showtime, canal que exibe Dexter e Californication, resolveu adaptar um seriado israelense chamado Hatufim (Prisioners of War) e criou Homeland, nada mais nada menos do que a melhor estreia do ano e – por que não? – a melhor série da temporada.

Homeland traz mais uma vez a Guerra do Iraque como tema da trama, algo recorrente nos últimos 11 anos nos Estados Unidos. A série tem como protagonista Carrie Mathison (Claire Danes), uma oficial de operações da CIA. Ela conduziu uma operação não autorizada no Iraque e no seu último dia no país, seu informante lhe passa a informação de que há um prisioneiro de guerra que mudou de lado e agora trabalha para a Al-Qaeda. Por trabalhar sem autorização, Carrie é punida e colocada em liberdade condicional. Além disso, é transferida para o Centro Contraterrorista da CIA em Langley, estado da Virgínia.

Mesmo com o passar do tempo, Carrie nunca tirou da cabeça a informação que lhe foi dada. Ela a perturba ainda mais quando seu chefe, David Estes (David Harewood), convoca uma reunião de emergência para anunciar que o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), um fuzileiro naval que estava desaparecido desde 2003 no Iraque, foi encontrado durante uma incursão da Delta Force em um complexo pertencente a Abu Nazir, alto membro da Al-Qaeda. De imediato, Carrie acredita que Brody é aquele que mudou de lado, como afirmava seu informante.

Apesar de apontar para seu chefe que Brody pode estar do lado inimigo, ninguém no departamento acredita nisso. Muito pelo contrário, já que consideram Brody um herói. Com a ideia fixa na cabeça, Carrie começa a investigar e vigiar o fuzileiro por conta própria, em mais uma operação sem autorização de seus superiores. Nesta empreitada ela conta com a ajuda de seu antigo chefe e mentor Saul Berenson (Mandy Patinkin).

Homeland é o melhor produto pós 11 de setembro. Primeiro porque consegue demonstrar a paranoia com um primor único. Além disso, não é uma visão unilateral. Pelo contrário. Ao longo da série somos convidados a conhecer não só o lado dos estadunidenses, mas também as motivações das quais fazem a Al-Qaeda ter os Estados Unidos como inimigo número um. Não há uma defesa de nenhum lado, nem mesmo é indicado que os fins justificam os meios, mas é interessantíssimo encontrar explicação onde parece haver só violência deliberada. Portanto, Homeland não escolhe um time, apenas expõem os fatos e o que leva as pessoas a cometer certos atos.

A política, é claro, toma conta de boa parte da série. Seja ela nas razões que os governantes tomam, seja dentro da própria agência de inteligência dos Estados Unidos. Os bastidores são retratados aqui de forma nua e crua. Desde os erros cometidos, passando pela burocracia e todas as ações tomadas. É inegável que isso lembre um pouco 24 Horas. A influência é aceitável, até porque a série é produzida por um dos produtores da série estrelada por Kiefer Sutherland.

Além da paranoia, guerra e política, Homeland também manda bem quando o assunto é a intimidade de seus personagens. A chegada de Brody à sua família após vários anos é, inicialmente, estranha. Ele precisa se adaptar aos filhos e à esposa, Jessica (Morena Baccarin), que seguiu em frente e estava num relacionamento sério com outro homem, amigo de Brody, inclusive. Além disso, ele carrega consigo as marcas da guerra, sejam elas físicas ou emocionais. Todo cuidado na hora de retratar essas feridas, mas os roteiristas trabalham de forma brilhante. Assim como Brody, quem também carrega diversos problemas é Carrie, a protagonista da série. A mulher é totalmente obcecada pelo trabalho, não tem vida social, muito menos pessoal. Sozinha em muitos sentidos, seu trabalho é sua vida e precisa lidar diariamente com o estresse e a obsessão por Brody, que a cada episódio cresce ainda mais e não em apenas um sentido. Carrie também carrega um problema psiquiátrico que ela esconde de seus colegas da CIA, incluindo Saul. Caso alguém descubra que ela possui tal problema, ela jamais poderá trabalhar com os arquivos confidenciais que ela tem acesso.

A ação é satisfatória, assim como o lado psicológico. A série trabalha de forma inteligente em todos os aspectos. Uma das qualidades é que não há momento para enrolação. A cada episódio, novas informações são adicionadas – e todas relevantes. É um quebra-cabeça instigante e que parece não ter solução. As reviravoltas também estão presentes e, a cada fim de episódio, algum fato deixa o espectador ainda mais aflito e ansioso para saber o que irá acontecer a seguir. Cada minuto importa em Homeland. A arquitetura da série é planejada perfeitamente. No final da temporada, com um season finale impecável, tudo se encaixa e a deixa para a próxima temporada, além de sensacional, é impactante e nos dá aquele gosto de quero mais.

O roteiro de Homeland é brilhante, assim como a execução de direção e elenco. Todos entregam atuações satisfatórias, mas Damian Lewis e Claire Danes são os destaques. Lewis consegue imprimir todas as nuances de um personagem que, à primeira vista, parece ser contido, mas que vive uma tempestade de emoções. Mas o que mais chama a atenção é a performance de Danes. Nunca dei muito crédito à ela como atriz, mas o seriado me fez mudar completamente a opinião sobre a capacidade cênica dela. Claire imerge na personagem e todos os seus problemas. Ela consegue fazer tudo o que a personagem exige. Ela passa a seriedade de um agente da CIA; se envolve em cenas de ação; tem momentos raros de felicidade e cai na depressão; mostra toda a obsessão que, aos poucos, se torna doentio; e, por fim, o limite entre a razão a insanidade devido aos seus problemas psicológicos. Danes surta (literalmente) em cena e entrega a melhor atuação de 2011 com a personagem feminina mais forte da temporada 2011/2012 na televisão.

Tudo isso é Homeland. Brilhantismo no roteiro, atuações muito acima da média e uma produção caprichada, sem rodeios e que vai direto ao assunto. Seria bom se mais de uma série por ano tivesse tanta determinação e qualidade assim.

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