Tomboy | Review

Tomboy
França, 2011 – 84 min
Drama

Direção:
Céline Sciamma
Roteiro:
Céline Sciamma
Elenco:
Zoé Héran, Jeanne Disson, Malonn Lévana, Sophie Cattani, Mathieu Demy

A homossexualidade é falada com mais naturalidade hoje. Ainda é um assunto delicado, em alguns aspectos, é verdade, mas não há mais tanto mistério quanto a isso. Não precisa esperar por um beijo gay na novela, afinal de contas tanto Hollywood como a própria vida real possuem pessoas do mesmo sexo se relacionando. Apesar de o tema ser considerado comum em obras de ficção, ainda é possível causar polêmica através dele.

Tomboy é um filme francês que entra no mar no meio de uma tempestade onde o menor erro pode ser a sua morte. O longa-metragem conta a história de Laure (Zoé Héran), menina de 10 anos que recém se mudou com os pais para uma nova cidade. A estação é o verão e a menina, com trejeitos de menino, tanto em suas vestimentas quanto em sua aparência, sai para brincar e fazer amizades pelo bairro. Até aí tudo bem. O problema começa a se configurar quando, ao conhecer a menina Lisa (Jeanne Disson), Laure resolve se passar por um garoto e se intitula Michael. Laure cria um laço de amizade com as crianças do bairro, especialmente Lisa. É claro que a mentira não será sustentada pra sempre, até porque as aulas deles logo começarão assim que acabar o verão.

A película de Céline Sciamma toma todas as precauções possíveis para não cair nos clichês ou pesar a mão na hora de tratar sobre a homossexualidade. Não fica claro se o interesse de Laure é realmente por mulheres, mas é evidente que por causa de uma sucessão de eventos orgânicos, a garota acabe se encontrando num espírito masculino, não correspondendo ao seu sexo físico. A diretora trabalha muito bem isso. A forma como Laure vai tentando adaptar sua aparência ao que sente que deveria ser; como os pais dela não percebem que essa mudança brusca está ocorrendo dentro dela; a relação natural entre Laure com Lisa e os demais garotos. Todos estes itens são conduzidos com leveza e sensibilidade.

A atuação da pequena Zoé Héran é maravilhosa. Todo o elenco infantil é ótimo, mas Zoé te faz esquecer de que ela é mesmo uma garota. A interpretação é natural e somos facilmente envolvidos nesse caminho em que ela, inconscientemente, toma. É um longa sem excessos, bonito e muito bem escrito. O final é um pouco emblemático, mas não tira o brilho da maior parte da película.

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