Arctic Monkeys no Lollapalooza Brasil 2012

Texto por Lucas Paraizo. Fotos: divulgação Lollapalooza e site Terra.

Somando com o dia anterior, quase 20 horas dentro do Jóquei Clube de São Paulo já haviam se passado. Mesmo tendo deixado a alma lá dentro após o show do Foo Fighters, tinha conseguido juntar forças para chegar cedo ao show do Gogol Bordello debaixo de um sol de torrar no domingo. Num geral, o segundo dia de Lollapalooza tinha um line-up mais completo, mais bandas que realmente mereciam ser vistas ao vivo (Gogol Bordello, Friendly Fires, Manchester Orchestra, MGMT, Foster the People…). Já tinha pulado tudo que conseguia, mas o principal motivo que tinha me levado ao festival estava prestes a entrar no palco. E assim, por volta de 9h40 da noite de domingo, o Arctic Monkeys subiu ao palco principal do Lollapalooza Brasil e todo o cansaço sumiu.

Os quatro amigos de Sheffield não possuem mais aquela pose de garotos formando uma banda de garagem que tinham ao lançarem seu primeiro álbum lá em 2006, o sensacional Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not. De lá até esse inesquecível 8 de abril de 2012, o Arctic Monkeys não parou de trabalhar, crescer e se aprimorar. A banda que subiu ao palco do Lollapalooza Brasil faz uma brincadeira usando esse estilo de rockabilly anos 50, mas mantém a energia e a agressividade dos anos de garagem, somados a uma qualidade sonora bem mais trabalhada.

Sem falar nada para os mais de 60 mil presentes, a trupe de Alex Turner inicia o show com o primeiro single do seu último álbum, Suck It And See. A ótima Don’t Sit Down Cause I’ve Moved Your Chair já anima e gera gritos de todos que estavam lá debaixo da recém-chegada chuva esperando a banda. Se isso talvez fez alguém pensar que o setlist do show seria mais voltado para o álbum do ano passado, ao fim da música Alex Turner fala que “é muito bom estar de volta à São Paulo” e já engata um dos hits do seu maior álbum, Favourite Worst Nightmare, de 2007. A rápida Teddy Picker faz o público ir ao delírio, cantando e dançando com toda a energia junto de Alex Turner. As estrofes eram gritadas a todo pulmão e acompanhadas por palmas. Fim de música com o jóquei soltando a voz no lugar do Sr. Turner em “Who’d want to be men of the people when there’s people like YOU!”, e a banda já engata Crying Lighting, do seu álbum mais esquecido, Humbug de 2009. Só ao fim dos riffs incríveis desta canção é que a banda dá tempo para o público respirar. Foram três pedradas que já iniciaram mostrando que o Arctic Monkeys estava lá pra valer, e que iam mostrar tudo que sabem.

O show seguiu na velocidade que é marca da banda, uma hora e meia de Arctic Monkeys parecem 20 minutos. O som estava perfeito, a garoa tinha aliviado o calor, o público cantava e dançava como se não houvesse amanhã. Alex Turner não precisava de muitas firulas para animar o público, as músicas faziam o trabalho por si só. O jovem e incansável frontman do Arctic Monkeys brincava fazendo charme ao arrumar o cabelo, e uma paradinha seguida de pulo com a guitarra durante a incrível Still Take You Home já serviu para fazer os fãs que se apertavam para ficar o mais perto o possível do palco pularem junto. Num certo ponto Alex até arriscou utilizar a plataforma que seguia para a frente do palco, mas o estilo da banda é soltar o pulmão e os braços na guitarra, sem correria pelo palco.

Ainda na primeira metade do show Alex anuncia “This one is called I Bet You Look Good On The Dancefloor, and it’s for the ladies!”. Lá estava o primeiro grande sucesso da banda, rápida e com a energia que fez o Arctic Monkeys reanimar o cenário indie mundial seis anos atrás. Não tem como ficar parado.

É interessante como ao vivo a apresentação às vezes te faz esquecer que tem outros dois membros ali no palco, pois o baterista Matt Helders e o guitarrista/vocalista Alex Turner são os donos do show. Matt comanda a apresentação inteira lá do fundo, guiando a banda e dando ritmo do inicio ao fim com uma energia incrível, enquanto Alex fica na frente dando o seu show particular. Uma dupla sensacional.

A apresentação contou com quase todos os hits da banda, um setlist muito bem montado para o festival. Sem espaço para as mais lentas, colocando o público para dançar o tempo inteiro. Já passada quase uma hora de show Alex Turner avisa que vão “desacelerar um minuto”, pensei que vinha pela frente a melhor balada da banda, a linda Cornerstone, mas mandaram a também ótima Suck It And See. Todos os quatro álbuns foram lembrados e até as duas recém-lançadas R U Mine? e Evil Twin apareceram durante o show. E os fãs souberam cantar as duas novas do início ao fim, confirmando a frase de Alex antes de começar a música que tinha sido lançada algumas semanas antes: “This one is called Evil Twin, and I bet you’re gonna love it”.

Foi exatamente com R U Mine? que a banda saiu do palco, voltando alguns instantes depois, ovacionados pelo jóquei inteiro, para o bis que começou com ótima When the Sun Goes Down. Após isso veio o momento mais esperado, a música que é provavelmente a maior e melhor da banda; o hino Fluorescent Adolescent. Mais de uma hora de show havia se passado, a chuva caia mais forte, e para este que vos fala lá no meio da multidão em frente ao palco, foi o melhor momento de todo o festival. A música foi cantada por todos do início ao fim, vi uma moça ao meu lado chorando enquanto cantava “Falling about / You took the left off last laugh Lane / you just sounded it out / but you’re not coming back again…”.

E após esse êxtase geral veio uma surpresa: a linda 505 para encerrar o show e o festival. Uma música mais calma, mas com uma melodia perfeita que arrancou o último fôlego dos presentes, cantando junto como sempre, mas encerrando o festival com chave de ouro ao fazer coro com “I’m going back to 505, if it’s a seven hour flight or a 45 minute drive…”; e acelerando junto da banda para os últimos pulos do festival na hora em que a música explode em “I crumble completely when you cry, it seems like once again you’ve had to greet me with goodbye…” Realmente lindo.

É difícil comparar o show do Arctic Monkeys com o do Foo Fighters do dia anterior. Uma banda é a maior do cenário indie atual, e provavelmente a mais relevante da década; enquanto a outra é uma das maiores bandas de rock dos últimos 20 anos. Mas o show do Arctic Monkeys foi realmente perfeito, som na medida, setlist caprichado, e sem faltar voz em momento algum. Um final perfeito para um festival sensacional. Que venha o próximo Lollapalooza Brasil, e Arctic Monkeys, apareçam por aqui sempre que quiserem!

Confira o show na íntegra abaixo.

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