Espelho, Espelho Meu | Review

Mirror Mirror
EUA, 2012 – 106 min
Comédia

Direção:
Tarsem Singh
Roteiro:
Jason Keller, Melisa Wallack
Elenco:
Julia Roberts, Lily Collins, Armie Harmer, Nathan Lane, Mare Winningham, Michael Lerner, Sean Bean

Os contos dos irmãos Grimm já foram desvirtuados há muito tempo. Aliás, nem mesmo são histórias de fato deles. São apenas contos folclóricos que eles tomaram como seus e os publicaram primeiro. Como já se passou várias décadas das obras, os títulos tornaram-se de domínio público. Sendo assim, você pode pegar o conto da Chapeuzinho Vermelho e fazer um filme seu! E sem levar processo por plágio. Como Hollywood perece de boas ideias durante a maior parte do ano, não é incomum pegar estas estórias e as transformarem em outras obras.

Recentemente tivemos as séries Grimm e Once Upon a Time que utilizam estes folclores da literatura estadunidense para justificar suas existências. Se em Grimm os casos acompanhados por um policial estão ligados com tudo o que os fantásticos irmãos escreveram, Once Upon a Time também aposta numa abordagem “realista” e atual de Branca de Neve. Ano passado foi a vez de A Garota da Capa Vermelha tentar dar uma visão mais dark para Chapeuzinho Vermelho, no entanto, se tornou só um filme adocicado, a la Crepúsculo. Já em 2012, a onda é levar a história de Branca de Neve aos cinemas por duas abordagens diferentes.

Uma delas é Branca de Neve e o Caçador, contando com Kristen Stewart como Branca de Neve e Charlize Theron como a Rainha Malvada, numa versão mais brutal, cheia de batalhas e com uma pegada mais séria. Neste caso, a rainha é a mais bela. Mas este ainda vai demorar alguns meses para chegar aos cinemas. Enquanto isso, Tarsem Singh (A Cela, Imortais) resolveu dar a sua visão da fábula. Como os demais filmes de sua filmografia, não espere muito mais de Espelho, Espelho Meu.

Nesta película, a rainha má é interpretada por Julia Roberts, interpretando ela mesmo, do jeito que quer e sem ninguém para detê-la. É aquela coisa. Ela dá o golpe no rei (Sean Bean) e toma conta de todo o reino. Enquanto isso deixa a filha dele, Branca de Neve (Lily Collins, de Sem Saída), presa dentro do castelo desde o sumiço do pai. A Rainha Clementianna está preocupada em não ser a mais bela do reino, pois Branca ameaça seu reinado. Para manter todo o seu luxo, a praticamente falida Clementianna resolve dar uma grande festa, coletando ainda mais impostos da vila que vive na miséria desde que ela começou a comandar a cidade. O intuito da festa é conseguir arranjar um casamento com o Príncipe Alcott (Armie Harmer), recém assaltado pelos sete anões, para que ela consiga manter toda a sua pompa.

Nesta releitura de Branca de Neve não há tempo para você se divertir. Seu cérebro não conseguirá aproveitar uma cena sequer desta falta de capricho de Tarsem Singh. O roteiro não foge tanto dos olhos de Disney, mas não funciona nem um pouco com as mudanças de personalidade (aliás, algum personagem a tem?) e a trajetória de alguns personagens. O príncipe é um boboca; os anões não trabalham numa mina e agora são foragidos do vilarejo por causa da rainha; a Branca de Neve é pura ingenuidade; a rainha é uma megalomania só. São figuras enjoadas, com nenhuma profundidade e que tentam tirar risadinhas do público de uma forma infantilizada. Na realidade, chamar isso de infantil seria um insulto às crianças. Os diálogos são do mesmo estilo das apresentações de programas infantis nas manhãs do SBT e da Globo. Nem mesmo Maísa seria capaz de soar desse jeito. As atuações são desesperadoras. Para o público, é claro. Armie Harmer já se mostrou eficiente em A Rede Social e J. Edgar e passa vergonha aqui. Lily Collins é uma moça bonita que não é de todo o mau, mas não dá para suportar a sua inocência em demasia. E quanto a Nathan Lane, Roberts e os demais, não há reza que salve suas interpretações.

Uma coisa que não se pode negar é que o longa-metragem capricha no visual. Toda coisa ruim tem o seu lado positivo. Neste caso, não há muita coisa positiva. No restante da película, há apenas a sensação de overdose de marshmellow.  Seria mais interessante levar um chute numa região mais sensível do corpo do que assistir a esta obra. Ao menos, haveria alguma emoção de verdade. No caso, seria de dor, contudo há muitas dores menos desagradáveis do que esta visão de Branca de Neve. A pergunta feita na frente do espelho deveria ser disparada por Tarsem da seguinte maneira: “espelho, espelho meu, existe algum diretor pior do que eu?”.


 

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