John Carter – Entre Dois Mundos | Review

John Carter
EUA, 2012 – 132 min
Aventura / Ficção

Direção:
Andrew Stanton
Roteiro:
Andrew Stanton, Mark Andrews, Michael Chabin
Elenco:
Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Mark Strong, Ciaran Hinds, Dominic West, James Purefoy, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Bryan Cranston, Daryl Sabara

 

 
A Pixar, estúdio mundialmente conhecido por suas animações bem humoradas e cheias de emoção, resolveu dar o primeiro passo para não ser apenas esse tipo de estúdio. Com os direitos do livro de Edgar Rice Burroughs, e o apoio da Disney, deu-se a primeira tentativa de criar algo sem relação alguma com o terreno já conhecido e muito bem explorado.

Surgiu, então, John Carter – Entre Dois Mundos. Intitulado inicialmente de John Carter de Marte, o título perdeu a última parte após o fracasso da animação Marte Precisa de Mães nas bilheterias norte-americanas. Como a produção era da própria Disney, eles resolveram tirar qualquer relação com o planeta vermelho. Independente disso, desde o início de sua campanha publicitária, John Carter não inspirava muita confiança e nada rolava no boca a boca. E o resultado final nas bilheterias foi catastrófico. O estúdio afirmou nesta semana que deve ter um prejuízo de cerca de US$200 milhões! Em outros tempos, isso poderia quebrá-lo, mas franquias como Piratas do Caribe e os próprios filmes da Pixar costumam deixar o cofre bem gordo.

De qualquer forma, é uma verdadeira pena ver John Carter – Entre Dois Mundos falhar dessa maneira nos Estados Unidos. No Brasil, por exemplo, foi arrecadado cerca de R$ 4 milhões no primeiro final de semana, um número bem expressivo. Mas o principal mercado é realmente o estadunidense, e por causa disso não espere ver a Disney se arriscando tão cedo e menos ainda a Pixar comandando um live action. E tudo isso é uma pena porque o filme é bom. Longe da perfeição dos trabalhos anteriores de Andrew Stanton (Procurando Nemo e Wall-E), mas é puro entretenimento.

A história, no início, não é muito clara. É uma mistura de flashback com o presente e recapitulação. Parece um pouco confuso, mas no final é tudo esclarecido e o roteiro não fica parecendo uma peneira. Em 1881, um oficial da cavalaria estadunidense John Carter (Taylor Kitsch) está morto, com seu corpo preso dentro de um mausoléu. Ele deixa uma carta para seu sobrinho, Edgar “Ned” Rice Burroughs (Daryl Sabara), que acaba de chegar para seu funeral, e nela há instruções e segredos. Voltamos para 1868, no Arizona, quando no meio de uma fugidinha de Carter da polícia local por ele ter desistido de servir, John encontra muito ouro e um cidadão com vestes estranhas dentro de uma caverna. Ele ataca John, que em defesa acaba o matando. Nisso, Carter, sem intenção alguma, se teletransporta para outro planeta, chamado Barsoom, ou melhor dizendo, Marte. Neste lugar onde tudo parece diferente, John se envolve no meio de uma guerra entre dois grupos que vivem no planeta. Do lado do bem está uma princesa (Lynn Collins) que tenta salvar seu povo.

Além das batalhas, existem também seres diferentes, outros costumes, outra língua, e por aí vai. Afinal de contas, John não está na Terra. Apesar de tentar não escolher um lado e brigar, ao conhecer a princesa Dejah Thoris, o encanto não permite que ele deixe de participar da guerra civil no planeta vermelho.

Muita gente tem dito que o longa é uma cópia de Avatar. Essencialmente, é a mesma ideia. No entanto, tem umas sacadas mais criativas, sem contar que James Cameron declarou publicamente ter se inspirado no livro do qual John Carter é baseado. Uma Princesa de Marte é de 1917! Ou seja, se há plágio de uma das partes, é de Cameron. O visual é estupendo, como não poderia deixar de ser. Os efeitos especiais são caprichados e as cenas de ação são bem orgânicas. Quanto ao elenco, Taylor Kitsch mostra-se bem. Ele consegue demonstrar certa dor e a sensação de estar perdido. Isso tudo sem falar muito e deixando de lado a canastrice. Não é um prazer ver Lynn Collins atuando, mas sua presença ao menos deixa as coisas mais bonitas. Há alguns exageros, tanto no elenco, quanto na própria trama. Há aqueles momentos de discursos verborrágicos, momentos clichês, mas no geral, o longa consegue entreter com uma produção caprichada e muita aventura. Uma típica película de Sessão da Tarde. Não é inesquecível, mas também não é ruim como muita gente na crítica pregou. Mesmo com suas falhas, o filme tem coração e até consegue surpreender.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.