Os Piores Filmes de 2011

Como todo e qualquer texto meu, há um pouco de ironia nas entrelinhas, mesmo tendo abordagens mais sérias, como deve sempre ser. No entanto, em um ano em que os produtores não trataram o público com respeito, acho que devemos trata-los da mesma forma. Por isso, esta é a lista que tenho o maior prazer de fazer. E, acredite, foi a mais difícil, pois os concorrentes brigaram ferozmente para ver quem era pior do que o outro. Portanto, vamos aos vencedores! Ou melhor, aos perdedores.

[20] Carros 2

E você achou que jamais veria um filme da Pixar numa lista de piores hein! De fato, Carros 2 não é ruim de verdade. O problema é que, comparado a todos os demais longas produzidos pelo estúdio, este deixa muito a desejar. Trama boba, sem emoção e personagens sem profundidade. O oposto do que estamos acostumados. Ao menos serve pra mostrar que o pessoal da Pixar também é humano e erra.

[19] Um Dia

Anne Hathaway, aquela lindinha. Baseado no best-seller que todo mundo diz ser um dos melhores romances da década (ou não), o filme, diferentemente da obra em páginas, não consegue captar a essência da paixão. Não é nem comédia nem romance, desprovido de carisma por parte do casal, que não convence, além de uma Anne Hathaway em uma atuação ridícula, ora com sotaque inglês forçado, ora não. Afinal, quem é você, Anne? Defina a personalidade de sua personagem, depois a interprete. E, por favor, não estrague Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, ok?

[18] Sucker Punch – Mundo Surreal

Zack Snyder é um dos meus diretores favoritos de sua geração. Ele tem uma linguagem cinematográfica interessante, consegue reinventar e transpor obras pra tela de forma competente e autoral. A questão era: ele é capaz de fazer um trabalho totalmente original, criado em sua mente? Capaz ele até é, mas isso não significa que saia coisa boa disso. Sucker Punch tem um estilo interessantíssimo, uma trilha sonora caprichada, efeitos especiais deslumbrantes, mas as qualidades param por aí. A premissa soava bacana, mas ele se sustenta todo na premissa. A história não caminha, as cenas de ação cansam a paciência do espectador, além de ter uma visão um tanto machista e, no final, destruir o pouco que tinha de bom no longa com um desfecho com lição de moral. Daí não, Zack!

[17] Os Três Mosqueteiros

Só pelo fato de alguém querer fazer mais uma versão do clássico de Alexandre Dumas já merece um troféu abacaxi, no melhor estilo Chacrinha. Enfim, Paul W.S. Anderson resolveu faze-lo pra dar um descanso de Resident Evil e mostrar o quanto pudesse sua mulher, Milla Jovovich, em outro filme que nem cabe a ela. Preciso mesmo dizer por que isso deu errado? Não? Obrigado.

[16] Cowboys & Aliens

Eu esperava mais de Jon Favreau, especialmente após ter iniciado a franquia bilionária da Marvel, agora como estúdio, com Homem de Ferro. A idéia de juntar cowboys e seres de outro planeta soava tão boa. O início é tão western, com direto a um Daniel Craig caladão, encaixando-se perfeitamente no clima. No entanto, quando os aliens aparecem é quando o filme desanda. Cowboys & Aliens é uma lição de como destruir uma boa idéia.

[15] Noite de Ano Novo

Pegue vários atores conhecidos, pague-os muito, faça-os trabalhar pouco e arrecade muito na bilheteria. Essa é a estratégia que deu certo com Idas e Vindas do Amor e dá certo em Noite de Ano Novo, sua continuação. Certo na estratégia do estúdio porque, na prática, é um desastre. Aliás, Ashton Kutcher está em ambos os filmes e interpreta personagens diferentes. É. As situações pelas quais as pessoas desejam o fim do ano são… Enfim, faltam palavras para ver a que ponto chegou gente consagrada como Robert DeNiro e Michelle Pfeiffer. O que vale é o cheque no fim do mês pra pagar a festinha da virada né? E, como disse Peter Travers, crítico da revista estadunidense Rolling Stone, qualquer filme em que Zac Efron dê a melhor atuação, isso é o seu pior inimigo.

[14] Eu Queria Ter a Sua Vida

Como se a trama de troca de corpos já não tivesse sido tantas vezes utilizadas, ainda assim insistem nela. E, veja só, sem inovação nenhuma! Sinceramente, conseguem fazer um trabalho pior do que Se Eu Fosse Você 2. Eu sei que parece difícil, mas é possível. O ótimo Jason Bateman, a adorável Olívia Wilde e a engraçadinha Leslie Mann estão acompanhados de Ryan Reynolds nesta película de piadas nojentas, situações embaraçosas, proporcionando vergonha alheia pra quem está tanto do lado de cá como o de lá da tela e, olha só, com lição de moral no final. Não, Hollywood, assim não dá!

[13] Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família

Só de pensar no nome em português já me deixa com preguiça. Little Fockers (bem melhor, hein?) é uma daquelas continuações tão desnecessárias, mas tão desnecessárias, que já fizeram o título em português gigantesco pra você ficar com má vontade de assistir só pela demora de pronunciá-lo. Ben Stiller e Robert DeNiro entram no terreno de piadas de mal gosto, com atuações pífias, situações vergonhosas, numa trama que não tem nada a ver com os filhos (como prejulgava-se ser) e desemboca numa boca de esgoto. Entenda como quiser isso.

[12] Sexo Sem Compromisso

Saiba como não se fazer uma comédia romântica. Muitas delas costumam ser açucaradas, mas aqui eu acho que ao invés de deixarem docinho, colocaram sonífero no lugar. Existe alguém mais entediante e desprovido de carisma do que Ashton Kutcher? A única coisa que ele sabe fazer com competência, aparentemente, é ficar pelado. Ao menos, é assim que ele tem salvado um pouco da audiência, que cai vertiginosamente, de Two and a Half Men. Sexo Sem Compromisso é tão ruim que Natalie Portman está desestimulante e a dupla perece em carisma e atuação, num roteiro manjado e cheio de situações que vão ao oposto do que realmente é o amor. Esse Sexo é, sem dúvida, broxante.

[11] Sua Alteza

Natalie Portman novamente passando vergonha. Parece que no ano em que ela ganhou seu Oscar, a maldição iniciou. Sua Alteza tinha potencial por ser uma boa comédia, afinal contava com David Gordon Green, diretor do excelente Segurando as Pontas. No estilo da idade média e se inspirando de leve em Monty Python, o filme já não começa bem e só vai ficando pior conforme vai se discorrendo, com piadas mais do que grosseiras e situações ridículas, desnecessárias e nojentas. Se algum dia for fazer um longa-metragem, me lembrem de deixar Danny McBride longe dele.

[10] Transformers: O Lado Oculto da Lua

O ano foi tão ruim que Transformers não é o pior filme do ano. Eu sei, eu também estou surpreso. Quando fui ao cinema conferir a mais uma megalomania de Michael Bay, não poderia esperar nada menos do que horrendo. Desta vez, ao menos, não há robôs com testículos, dá pra diferenciar quem está brigando com quem e não tem a péssima Megan Fox. Mas contrataram uma modelo loira tão boa quanto Megan da qual eu prefiro nem dizer o nome, de tão insignificante que é seu papel. Frances McDormand ainda tenta dar uma ajudinha nos minutos em que está em tela, mas com um roteiro ruim e uma hora direto só de explosões, tiros e porradas, Transformers é mais da mesma porcaria do episódio anterior. Não é tão ruim quanto, mas está longe de ser bom como fora o primeiro.

[9] Os Smurfs

Esse ano não teve Alvin e Os Esquilos (infelizmente, em janeiro já tem de novo), mas houve representantes a altura. Ok, é uma ofensa aos esquilos, pois não há como ser mais irritantes do que eles. Mas Os Smurfs chagam perto com suas cantorias de uma música só e falando Smurf pra tudo. Os Smurfs é ruim pelo simples fato de ser ruim. Atuações caricatas, personagens chatos, história medíocre e seres pequeninhos irritantes.

[8] Happy Feet 2

Pra variar, mais uma continuação completamente dispensável. Pra quem assistiu ao primeiro, sabe que não existe um motivo plausível para esta sequência. Ainda assim, ela foi feita e destrói toda a fofura que existia nos pinguins, além de suas boas intenções. Evoluiu tecnologicamente, mas é simplesmente detestável. Não sobra um pingo de simpatia.

[7] Zelador Animal

Comédia infantil costuma ser ruim, mas tratar o espectador, inclusive o infanto-juvenil, como retardado mental, é uma ofensa ainda maior do que ser meramente ruim. Kevin James somado a um roteiro sofrível e a vários, eu disse vários, animais falantes. É só o que tenho a dizer.

[6] Lanterna Verde

Besouro Verde era ruim, mas eu achei muito mais indigno destruírem um personagem dos quadrinhos da DC. E Lanterna Verde é legal, pô. Com a intenção de iniciar uma nova franquia, já que Harry Potter acabou, a Warner apressou as coisas para fazer este super-herói ganhar versão carne e osso. O problema é que tudo dá errado. Tudo bem, o visual em Oa é bem caprichado, deu pra ver que o pessoal da pós-produção teve bastante trabalho. Beleza, mas tempo pra escrever um roteiro decente ninguém teve? São todas as razões erradas pelas quais Hal Jordan (Reynolds) se torna um herói. Blake Lively, a Serena de Gossip Girl, faz a mesma cara de riquinha esnobe, e o resto do elenco também está em atuações dispensáveis. E Reynolds… É, não tem jeito, não convence como protagonista mesmo. A pretensão de engatar uma sequência com aquele final é desmerecedora do meu respeito. Lanterna Verde é tão ruim que parece daqueles filmes B. Até Elektra é melhor. Ou não.

[5] Se Beber, Não Case: Parte 2

Quem não deu diversas gargalhadas com a odisseia daqueles três amigos em Vegas? Se Beber, Não Case! era mais um exemplo de que o politicamente incorreto estava em moda, além de ser um filme hilário, que mostra o companheirismo dos homens numa trama interessante. Fez sucesso e, justamente por isso, fizeram uma continuação que segue os mesmos passos do primeiro, só que em outro país e algumas piadas de mau gosto. Ao invés de criar alguma coisa de diferente para eles, Todd Phillips resolveu só coloca-los em tela pra fazer o que já faz dois anos antes. Uma das maiores decepções do ano.

[4] Cilada.com

Tudo o que a gente menos preza no humor nacional é atirado contra os nossos rostos nesta película. Bruno Mazzeo faz uns quadros bacanas no Multishow, mas nesta adaptação da série dele, o filho de Chico Anízio deve ter dado vergonha ao pai. Com muito machismo, palavrões a toa, piadas manjadas, uma história ruinzinha, atuações horrorosas, situações clichês e nenhuma risada, Cilada.com mostra o porquê o Brasil ainda tem que evoluir muito no quesito cinematográfico.

[3] Conan – O Bárbaro

Jason Momoa. Esse sobrenome já dá um descrédito no rapaz. Lembrar que ele participou de 10.000 A.C. deixa tudo ainda pior. No entanto, em Game of Thrones ele se sai bem. Então foi convocado para ser o novo Conan. Apesar de ser um clássico, o original já não era um filmaço. Convenhamos também que Arnold Schwarzenegger não é nenhum ator estupendo. Ainda assim, Momoa e todo o conjunto conseguem envergonhar Schwarzenegger. Do minuto inicial, até seu péssimo desfecho, Conan é horrível. Dá vontade de pegar a espada dele e coloca-la em meu peito. Atuações de novelinha vagabunda, lutas que deveriam ter muita porrada mesmo, mas acaba cheia de firúlas, acrobacias e pulinhos. Amigo, é Conan, o Bárbaro, não Jack Sparrow, o pirata.

[2] O Turista

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por A Vida dos Outros, esperava-se mais de Florian Henckel von Donnersmarck em Hollywood, especialmente por ter um casal de protagonistas bonitos e talentosos. O Turista é um filme desprovido de qualquer qualidade. Tomando a piada de Ricky Gervais no Globo de Ouro, “todos os filmes esse ano foram em 3D, exceto pelo elenco de O Turista”. De fato, o filme não cabe em gênero algum. Ora tenta apelar para a comédia, mas não faz rir; ora tenta investir na ação, mas as cenas que deveriam ter adrenalina, são tão emocionantes quanto um episódio de Barney e Seus Amigos; por fim, tenta, sem sucesso, fazer de tudo um verdadeiro romance e falha. Angelina Jolie e Johnny Depp estão em atuações pífias, sem emoção ou química alguma. Todos estão no piloto automático, fazendo um filme sem graça só pra ganhar dinheiro. Nem mesmo as belas vistas de cartão postal salvam uma película sem alma e que tenta parecer inteligente. Só tenta. Todos os insultos do mundo para O Turista. E se você achou o final genial, eu tenho uma notícia para lhe dar, mas eu acho que você não vai querer saber.

[1] A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

Eu sei que vocês esperavam que Amanhecer estivesse em primeiro. Compreensível. Stephenie Meyer consegue extrair tudo o que há de ruim das coisas. Primeiramente, ela transformou lobisomens e vampiros em seres menos existentes ainda e chatos. Depois, tenta pregar um comportamento puritano em todos. Daí tem a historinha de menina sem sal e que é disputada por dois homens musculosos, bonitões e com poderes sobrenaturais. Se até aí já não fosse ruim, seu último livro piora tudo ainda mais. Mesmo sob a tutela de Bill Condon, diretor competente, não há uma atuação ou fala, que seja, de Amanhecer que se salve. É tudo muito ruim, ultrapassando as barreiras do mau gosto. Kristen Stewart está mais sem vida do que nunca, enquanto Pattinson está com a mesma cara em todas as cenas. E a paixão fulminante por um bebê é o ápice da falta de noção da escritora, e também um dos momentos mais engraçados do longa. Assistir Amanhecer é quase como se sentir morto. Na verdade, a morte talvez não seja tão ruim assim.

Um comentário sobre “Os Piores Filmes de 2011

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.