Crepúsculo | Review

Twilight
EUA, 2008 – 122 min
Romance

Direção:
Catherine Hardwick
Roteiro:
Melissa Rosenberg
Elenco:
Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Petter Facinelli, Ashley Greene, Nikki Reed, Kellan Lutz, Cam Gigandet

Para começar, serei bem franco com vocês. Não li o livro de Crepúsculo. Não fiz questão alguma disso, e muito menos agora ao assistir ao filme na tela grande. Minha expectativa era bem menor do que o resultado final, no entanto não quero dizer em hipótese alguma que Crepúsculo é uma boa fita.


A história se passar numa pequena cidade de pouco mais de 3 mil habitantes, Forks, onde a menina Bella (Kristen Stewart) se muda para a casa do seu pai. A garota tem que entrar para a escola na cidade no meio do semestre e se sente, obviamente, meio deslocada. Ela logo começa a fazer amizades, mas quem a chama atenção mesmo é o seu colega da aula de biologia, Edward Cullen (Robert Pattinson), que simplesmente corre da sala durante sua primeira aula, e a garota fica realmente interessada em saber o porquê de certas atitudes do garoto. Quando ela é quase atropelada e Edward a salva, rapidamente uma fixação e paixão se iniciam entre os dois.

Crepúsculo, alguns podem pensar, que traz algo realmente novo consigo em seu conteúdo, mas na verdade é um monte de clichê, misturado com as coisas mais bobas e que conseguem roubar uns “aaaaaain” das adolescentes facilmente. O filme é um uma dose água com açúcar pesada. Apesar de começar até bem, onde a narração da personagem de Kristen Stewart faz o filme até parecer interessante, mas nos minutos que seguem vemos que o filme simplesmente não decola. Ele faz barulho, ameaça pegar voo, mas continua no chão, e acaba batendo feio.

Mais da metade do longa-metragem é aquela coisa de paixão à primeira vista, indo aos poucos até o amor dos dois se consumir, e então as meninas mal amadas no cinema delirarem pelo personagem de Pattinson, até mesmo quando ele vira diamante no sol (me desculpem, mas não tive como não rir nesta cena). Muito doce até aí. Então quase no fim, depois que Bella já enturmou até com a família vampiresca do bem de Edward, aparece um trio de vampiros, só que estes são maus. O que ocorre é que um deles, James (Cam Gigandet – campeão de ser malvado e bonitão como no filme Quebrando as Regras e na série The O.C. como Volchok) sente o cheiro de sangue humano de Bella e então quer sugar todo seu sangue, como todo vampiro normal. E é claro, mais gritinhos das mal amadas no cinema com Edward tentando salvar Bella. E isso é o máximo que o filme tira dos expectadores, os gritinhos das “gruppies” de Crepúsculo, pois somente elas arranjam algo para agitarem em meio ao tédio que é o longa.

Tentando salvar as coisas boas do filme, são as seguintes. A intenção da escritora Stephenie Meyer de mudar praticamente tudo da mitologia dos vampiros foi válida. Aqui os vampiros não morrem com cruz, bala de prata, alho e sol. A única semelhança com os vampiros normais dos quais já conhecemos, além do fato deles beberem sangue, é a sua rivalidade com os lobos. Os atores principais tentam, mas com um roteirozinho frouxo desses, fica impossível resultar em algo bom. Robert e Kirsten fazem o que podem para valerem a sua pele no papel, que após o sucesso nos cinemas do filme, eles querem honrar e muito.

Não sei se há como culpar a diretora Catherine Hardwick (dos medianos Os Reis de Dogtown e Aos Treze) pelo filminho que ela criou, afinal não havia como salvar o que já não era muito bom. Crepúsculo é tão bom que nem a diretora não leu o livro. Bom… O que importa é que não deu jeito de fazer um roteiro bom o suficiente para se fazer cinema de verdade com essa onda pop atual que é a série de livros de Stephenie Meyer. Juntamente com um orçamento baixo (cerca de US$ 37 milhões), fazendo dos takes em que se precisa do recurso digital parecer um desenho do Pernalonga, Hardwick ainda faz um “bom” trabalho com o que tem na mão. Ela tenta disfarçar ao máximo as (poucas) cenas de ação de seu pouco recurso, investe pesado nos seus protagonistas, em muitos, mas muitos closes neles, tentando fazer-nos esquecer do resto no longa. Mas o elenco desconhecido e inexpressivo, efeitos especiais ruins, cenas de ação sem um pingo de emoção, maquiagem mal feita (deixando evidente que não é a pele dos personagens, mas sim que passaram protetor solar na cara e esqueceram de espalhar) e uma história de amor barata não são o suficiente para se fazer algo memorável, ou no mínimo bom.

Muita gente que agora é fã pode se ofender, mas a verdade é que Crepúsculo é só mais uma modinha, que provavelmente vai continuar, mas que não vale um centavo do barulho que faz. Não é péssimo. Como disse, pensei que ainda seria um pouco pior. Ainda assim não me convenceu e não me agradou. É uma mistura de um episódio de Malhação com Os Mutantes da Record. Mas vai que você curte essas duas novelas, daí pode ser que a sua sessão valha à pena. E ainda tem gente que vai ter a cara de pau de dizer que Crepúsculo é melhor que Harry Potter. Tsc, tsc…

(texto publicado originalmente 09/01/2009)

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.