A Saga Crepúsculo: Lua Nova | Review

The Twilight Saga: New Moon
EUA, 2009 – 130 min
Romance

Direção:
Chris Weitz
Roteiro:
Melissa Rosenberg
Elenco:
Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Rachelle Lefevre, Billy Burke, Peter Facinelli, Nikki Reed, Kellan Lutz, Jackson Rathbone, Anna Kendrick, Michael Sheen, Dakota Fanning

Todo mundo sabe muito bem que você gostando ou não, Lua Nova é um dos filmes mais esperados do ano. Os livros venderam mais de 10 milhões de cópias, então é sensato imaginar que transformar a série de livros em uma franquia cinematográfica seria um grande investimento e com um grande retorno. O primeiro longa feito com apenas US$ 37 milhões fez mais de US$ 300 milhões ao redor do mundo. Com essa grana, a produtora investiu em outros dois filmes, Lua Nova (2009) e Eclipse, que já foi filmado e estreia em julho do ano que vem. Não há como ignorar o barulho que faz, então na sessão da meia noite e um, estava por lá para conferir o que saiu dessa adaptação.


A primeira pergunta é a seguinte: quem não gosta da série, tem chance de gostar do filme? Hmmm… Eu acho que não vai ser dessa vez. Apesar de ser evidente uma certa evolução em muitos aspectos, o filme ainda é feito para as meninas, em especial as crepusculetes. Apesar da ovação de grande parte do cinema, ou seja, das garotas, o longa ainda não convence, nem como um bom filme de romance, nem como um filme sobrenatural.

Desta vez Bella (Kristen Stewart) inicia a trama com um sonho estranho, imaginando como seria daqui uns anos pra frente, quando ela envelhecer e seu amado continuar exatamente da mesma maneira, jovial. Ela, enfim, acorda e é seu dia de aniversário, e por causa dessa sua preocupação, ela prefere não celebrar seu nascimento. Contudo seu pai, Charlie (Billy Burke) e toda a família de Edward (Robert Pattinson) fazem questão de lembrá-la disso, e os vampiros resolvem fazer uma festa para a garota. Aí ocorre um incidente quando a garota corta o seu dedo com papel e começa a sangrar e Jasper tenta atacar a humana. Com o incidente, Edward acha que é uma boa desculpa para chutá-la para escanteio e fugir para bem longe, pois ele acredita não ser bom o suficiente pra ela. Abandonada, ela acaba criando um laço de amizade (ou algo a mais) fortíssimo com Jacob (Taylor Lautner). Ela fica naquela dúvida cruel se deve dar uma chance para ser feliz ao lado do garoto ou se deve lembrar-se que Edward ainda vive em algum lugar e que ela o ama e prefere manter-se na abstinência.

Lua Nova chega a ser agradável em alguns momentos. O início é bem chato, pois as frases de efeito românticas roubadas da própria obra original são clichês e só caem mesmo quem ou está carente demais ou nunca teve um namorado que prestasse na vida. Depois que Edward sai de cena, a inclusão de Jacob como o par de Bella cai muito melhor. Nos momentos descontraídos, eles levam o filme com leveza e tirando alguns risos da plateia, mesmo aqueles que não curtem a saga. Até uns 50 minutos o filme é até agradável, mas então entra a parte dramática e, neste ponto, o trio principal deixa a desejar. Taylor Lautner até se saia bem nos momentos leves, porém quando sofre uma tal transformação, ele não convence, parecendo muito caricato fazendo-se de irritado o tempo todo. O mesmo vale para Kristen Stewart, que apesar de estar um pouco melhor, ainda faz caras que não convencem e para ser uma boa atriz, ainda tem que comer muito arroz e feijão. A partir daí o filme começa a parecer-se mais com Crepúsculo, ou seja, fica muito ruim. A briga entre os lobisomens é extremamente desnecessária, mas acontece. Os efeitos especiais já estão um pouco melhores do que o longa anterior, ainda assim falta muito à aprimorar. Para quem é fã dos humanos caninos, podem esquecer. Aqui eles são lobos de dois metros de altura e nada relembram os verdadeiros lycans. Sobre os vampiros acho que não adianta comentar, porque um vampiro que não morre na luz do sol nem teme uma cruz, não merece nenhuma atenção. Na boa, virar diamante no sol? Tenha dó, é uma ofensa à quem gosta do misticismo tanto destes como dos outros.

A trilha sonora do filme tem boas músicas contando aí com Death cab For Cutie, The Killers, Muse, entre outras bandas. De todo jeito tentam enfiar as canções nas cenas. A cada momento de silêncio, eles jogam uma música para você ouvir, achar bacana, e ir comprar o cd quando sair da sessão do cinema. Uma montagem que remete muito os filmes de comédia, mas que não agrada tanto quanto o esperado. Ainda se atendo à coisas desnecessárias que o longa propõe, são as cenas de nudismo masculino. A cada pequena brecha, qualquer desculpa sequer, aparece alguém sem camisa. É algo desconfortável e que traz a plateia aos risos, especialmente se você não gostar da saga e for homem. Ou seja, eu ri. E muito! Engraçado e desconfortável também é a ideia de que ninguém se beija nesse filme. E quando acontece, encostam no máximo um lábio no outro e ainda gemem! Parece High School Musical, onde o casal se dá um beijo durante o filme todo. Deprimente. E ainda dizem que isso é amor. Não beijar na boca de quem se ama, esse é o novo lema do século XXI.

O roteiro de Melissa Rosenberg, que escreveu o longa anterior igualmente, me dá alguma alegria. Ela dilacera as partes mais tediosas do livro. A narração de Bella choramingando que carrega o livro todo é cortado em 90%, deixando apenas partes essências da narrativa. Tal ato é prudente e faz a história fluir bem melhor sem os comentários suicidas a cada 10 segundos da protagonista sem sal. Mas em contrapartida há outros erros. A forma que os personagens falam…de…forma…mais…lenta…e…pausada…incomoda…qualquer…um. Parece que eles possuem algum problema de dicção, em especial Edward que não consegue dizer uma só frase de forma direta e tem que romantizar tudo.

Ainda há os Volturi, que aparentam ser um grande perigo, assim como Victoria que nem chega a causar perigo e simplesmente desaparece no fim do longa, sem maiores explicações. Na família Volturi ao menos tem alguém que saiba atuar. Não estou falando de Dakota Fanning, que interpreta a pequena vampira loira Jane. Sua atuação é medonha e suas poucas falas e olhares não causam medo em ninguém e causam risos involuntários. O único personagem do bolo decente é Aro, interpretado pelo ótimo Michael Sheen (de Frost/NixonA Rainha e Anjos da Noite: A Rebelião). Sua atuação é cômica e assombrosa ao mesmo tempo. Timing perfeito. Ele é a única atração mesmo da visita à Itália de Bella e Edward.

Lua Nova é uma diversão que deixa uma certa dor de barriga em quem se diverte. É algo feito para os fãs, não para agradar o público que tem um pé atrás com a franquia. O diretor Chris Weitz (de American Pie, o ótimo Um Grande Garoto e A Bússola de Ouro) fez um trabalho bem melhor do que sua antecessora Catherine Hardwick. Ainda assim ele não é capaz de melhorar a maquiagem que continua estranha, a história que já é fraca e os efeitos especiais que apesar de um orçamento maior, ainda são equivocados. As cenas de ação são conduzidas tentando camuflar a precariedade delas, com a maioria das cenas em câmera lenta. E o pior de tudo é que o longa não tem um clímax. O máximo que acontece é Bella correndo cidade a dentro (numa bela sequência) e Edward levando três golpes dos vampiros italianos.

Nas considerações finais vale ressaltar que A Saga Crepúsculo: Lua Nova é um caso raro de um filme que é melhor que o livro em que originou-se. A meu ver é verdade e segundo a opinião de algumas crepusculetes ao fim da sessão, pensam de uma forma semelhante à minha neste aspecto. O que não quer dizer ainda que a fita é boa. No fim das contas, o filme quase agrada, mas não consegue fugir de uma trama boba e de um final óbvio. Este final que é repetido em todos os livros e consequentemente, em todos os filmes. O filme poderia ter um orçamento de US$ 200 milhões que ainda não conseguiria ser melhor do que é. A culpa disso? É de Stephenie Meyer por escrever uma obra tão pobre e sem grandes atrativos. Uma história de amor clichê, forçada, que tenta fugir do óbvio mesclando elementos sobrenaturais. Só tenta, pois passa longe de conseguir. O que falta para a franquia é uma só palavra: maturidade. E prepare-se para muitos gritos das crepusculetes durante a sessão e cada frase de efeito lançada pelos protagonistas masculinos e claro, quando eles aparecem despidos. É, meu amigo. É o preço que se paga por se arriscar a ir no cinema ver esta película e no estilo…Edward…e…Bella…de…falar: …meus…pêsames…e…boa…sorte.

(texto publicado originalmente em 20/11/2009)

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