Melhores Clipes de 2012

O mês de dezembro é sinônimo de listas de melhores do ano no blog Previamente. A primeira delas é a dos melhores clipes de 2012. Entre artistas pop à rock, de rap à alternativo, a seleção foi feita com muito cuidado e baseada em cálculos de precisão cirúrgica.  O que houve de melhor no mundo videoclíptico está logo abaixo. Então é só descer a página e conferir um por um.

20 Two Door Cinema – Sleep Alone

Com efeitos especiais superiores aos dos filmes da Saga Crepúsculo, Sleep Alone é um vídeo que mostra que nem sempre é seguro ficar dentro de um quarto. O clipe vai de moletons que ganham vida à trens perseguindo o vocalista da banda em cima de um cobertor.

Direção: ABBCCD

19 Bob Dylan – Duquesne Whistle

Dylan é apenas um coadjuvante que anda pelas ruas no clipe de Duquesne Whistle. Um jovem rapaz tenta chamar a atenção de uma garota na rua e enquanto ela tenta se esquivar dele, uma série de situações inusitadas (e ruins) lhe acontecem, como receber spray de pimenta na cara, ter policiais em sua cola, ser sequestrado e apanhar muito. Pode não fazer tanto sentido com a canção, mas é criativo e divertido, a la Tarantino.

Direção: Nash Edgerton

18 M.I.A. – Bad Girls

M.I.A. é uma das rappers mais originais da atualidade e que agrada vários públicos, como o diretor Fernando Meirelles. Apesar de não ter mais tanto apelo comercial, ela ainda não perdeu sua relevância. As letras continuam afiadas e criativas, somadas aos ritmos originais. Bad Girls é uma canção que mistura rap e melodia do Oriente Médio. No vídeo, ela se encontra no meio do deserto, com direito a fumaça no deserto, vários árabes dançando com ela e seus movimentos estranhos, além de fazer manobras ousadas com carros e reforçar os esteriótipos árabes (uma espécie de crítica feita pela cantora). Um pouco de loucura, imposição de armas e um clipe no mínimo inusitado, assim como ela própria.

Direção: Romain Gavras

17 Drake – Take Care (feat. Rihanna)

A bela canção Take Care vem acompanhada de um vídeo trabalhado com muito cuidado e delicadeza nos detalhes. Não é preciso muita coisa. A iluminação cuida de boa parte da mensagem do vídeo, que entrega uma sensação de carência, compaixão e solidão. O uso do slow motion cria cenas belíssimas. Além delas, montanhas gélidas (frieza na relação) e florestas em chamas (a destruição da relção) traduzem bem o que a letra quer dizer.

Direção: Yoann Lemoine

16 Jack White – Freedom At 21

Se no White Stripes as cores que imperavam eram o branco, vermelho e preto, em sua carreira solo Jack White transforma tudo em azul e preto. Do encarte até às cenas de seus clipes, White imprime seu momento musical através de seu conceitual. No vídeo de Freedom at 21, dirigido pelo veterano dos videoclipes Hype Williams, White parte livremente pela rodovia, mas é parado por uma policial. Abre-se então espaço para algumas alucinações de Williams, solo de guitarra de arrepiar de White, e um trabalho de fotografia priorizando o azul, o preto e o branco na maior parte do tempo, e o tempo todo em White. Uma pequena piração videoclíptica e uma das melhores canções do ano.

Direção: Hype Williams

15 Criolo – Mariô

Existem bons motivos para justificar a presença de Criolo como único representante brasileiro nesta lista. Uma das maiores revelações da música brasileira nos últimos anos, Criolo é maduro e consciente em suas composições urbanas. O clipe de Mariô comprova que ele está tão interessado na música como no modo em que ele a divulga. Mariô é uma espécie de conto de um homem (humano ou não) que cai na Terra como um asteroide (lembra a chegada de Superman nos quadrinhos) e a explora. A fotografia é caprichada, os efeitos especiais embasbacante e o visual é nada menos do que estupendo.

Direção: Del Reginato

14 The Vaccines – I Always Knew

Música e vídeo se completam no simples, porém poderoso clipe de I Always Knew. Um homem e uma mulher entram em um brinquedo de um parque e ficam ali, sentados um do lado do outro, girando junto com o brinquedo. As emoções são jogadas no ar e a interpretação fica a critério de cada espectador. A cada balanço, olhar e sorriso, somos levados para dentro de um turbilhão de sentimentos. Um clipe humilde, que valoriza o que há de melhor na canção e a retrata de maneira bela.

Direção: Jesse John Jenkins

13 The Rolling Stones – Doom and Gloom

Depois de 50 anos de carreira, os Stones continuam tão bons quanto em 1962. No clipe dirigido por Jonas Åkerlund, cada verso é transformado em imagem. Seja um avião sendo pilotado, um ataque de zumbis, uma pilha de lixo, viver na beira da rua, explosões e pessoas bêbadas. Tudo isso incorporado por Noomi Rapace (atriz de Prometheus e da trilogia original de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres), que está fantástica no vídeo. As cenas variam entre as releituras da letra e momentos com a banda fazendo a performance da canção dentro de um estúdio, o que lembra Moves Like Jagger, que, coincidentemente, foi dirigido por Åkerlund.

Direção: Jonas Åkerlund

12 Jay-Z & Kanye West – No Church in the Wild (feat. Frank Ocean & The-Dream)

Colocando em dúvida várias questões como o poder e a religião, No Church in the Wild é uma das canções mais poderosas do álbum Watch the Throne. O clipe capta a essência da música, colocando em embate a polícia (o poder) contra o povo. Opressão, revolução, violência, selvageria e conquista. Temas pesados e trabalhados de maneira crua e autêntica.

Direção: Romain Gavras

11 Lana Del Rey – Blue Jeans

Lana Del Rey se tornou mais alternativa do que deveria ser nos últimos tempos. A qualidade de seus vídeos é alta, mas a temática retrô já ficou batida para ela. Blue Jeans é seu único clipe que sobreviveu o ano inteiro sem soar blasé demais. Sem cores em sépia ou filmagem em super 8, o clipe traz um romance tentador, momentos em que a realidade e a ilusão se fundem, uma sensualidade deliciosa e uma fotografia estupenda em preto e branco. Tudo isso somado à melhor canção da garota que gostaria ter nascido nos anos 60.

Direção: Yoann Lemoine

10 Florence + the Machine – Spectrum

A voz de Florence Welch é divina e seus clipes não ficam pra trás. Na parceria com o veterano dos clipes David LaChapelle e John Byrne, o videoclipe de Spectrum não tem uma narrativa e aposta basicamente nos movimentos dos bailarinos e na potência da canção. É como ir ao teatro para assistir um espetáculo de balé e ter o adicional de ter Florence no elenco. Um trabalho artístico sublime e bem executado.

Direção: David LaChapelle & John Byrne

9 Paul McCartney – My Valentine

A música é uma graça e prova que Paul McCartney ainda tem muito a oferecer para a indústria fonográfica. O clipe é tão gracioso e bonito quanto a canção. Natalie Portman e Johnny Depp foram escalados para ficar sentadinhos num banquinho, com um fundo escuro, e nada mais. O que resta aos dois a fazer é interpretar a letra de My Valentine em linguagem de sinais (libras). O resultado é sublime.

Direção: Paul McCartney

8 Gotye – Easy Way Out

O cantor Gotye parece fazer questão de ser lembrado por ótimos videoclipes. Easy Way Out é mais um ótimo exemplo da competência dele e da preocupação em fazer clipes criativos. Ele explora o stop motion e uma edição primorosa ao criar o dia a dia de uma pessoa, desde a hora em que acorda, passando pelo café da manhã, ida ao trabalho e o desgaste nas horas em que precisa botar a mão na massa para render no emprego. Tudo isso é feito sem cortes, realizando um giro de 360º por vários cenários que exibem as situações vividas no dia do protagonista, em que ele contracena com ele mesmo, transitando entre uma situação para a outra. Sensacional.

Direção: Darcy Prendergast

7 PSY – Gangnam Style

O vídeo mais assistido da história do YouTube. Quem diria que isso aconteceria com um cidadão da Coreia do Sul. PSY surgiu do nada e sua dança cavalgante cativou o mundo inteiro. O clipe de Gangnam Style é sacana e engraçado. Danças dentro do elevador, dentro do estacionamento, na praia, situações irreverentes dentro de metrôs e até saunas. O ritmo e a letra (o refrão, mais especificamente) são grudentas e não saem da cabeça depois do primeiro play. Quando você descobre o que significa a letra, percebe que ela realmente tem algo a dizer. No caso, ele critica o modo de viver da elite emergente da capital sul-coreana, Seul, e isso fica evidente no modo escrachado com que o vídeo é feito. Com muito bom humor, danças e cenários coloridos, Gangnam Style é um marco da música, da internet e dos videoclipes.

Direção: Lee Bo Young

6 Alt-J – Breezeblocks

Videoclipes que acontecem ao contrário costumam ter um charme a mais. Além de ser um trabalho dificílimo de ser feito, a história torna-se mais atraente, despertando o interesse no espectador. Um exemplo disso é o clipe de The Scientist, do Coldplay. Em Breezeblocks, começamos com o resultado de um assassinato. Um homem com uma aliança de casado em sua mão é o culpado pelo crime. A questão é: como tudo isso aconteceu? O vídeo vai mostrando de forma reversa a sucessão de fatos que levaram àquela primeira cena. O caminho percorrido é tenso e, ao final, o espectador fica de queixo caído com o desfecho da narrativa. Brilhante.

Direção: Ellis Bahl

Foster The People – Houdini

Foi no ano passado que Foster The People se tornou um fenômeno musical. De um clipe comum, mas com uma música feita para estourar nas paradas de sucesso (Pumped Up Kicks), os caras da banda se tornaram craques nos videoclipes, com muita criatividade e bom humor. Houdini não é diferente. Durante um ensaio, os três integrantes da banda acabam morrendo em um acidente. Os produtores, no entanto, não querem deixar de ganhar dinheiro com a banda, até porque no dia seguinte haverá um show em que ela deveria tocar. Qual é a saída? Transformá-los numa mescla de fantoche e robô. Além de efeitos especiais caprichados e um visual arrojado, o clipe é até mesmo engraçado devido à crítica ao pessoal que trabalha na indústria fonográfica. Um bando de manipulados, fabricados pelos produtores apenas para dar dinheiro às grandes gravadoras, não importa de que jeito.

Direção: DANIELS

4 P!nk – Try

Sempre fazendo bom uso de sua imaginação, P!nk retornou neste ano com um novo disco e um clipe sensacional. Try não tem muito mistério. Ela e o dançarino Colt Prattes formam um casal com problemas no relacionamento (casando com a canção). A relação conturbada é desenhada através da coreografia interpretada pelos dois, numa espécie de combate corpo a corpo através de movimentos sofisticados e elaborados. A coreografia, criada por Golden Boyz e Sebastien Stella, é incrível e de tirar o fôlego. Além de serem esteticamente bonitos, os movimentos traduzem com fidelidade os versos da canção. É o clipe mais corajoso da carreira de P!nk e também o seu melhor vídeo até então.

Direção: Floria Sigismondi

3 Mumford & Sons – Lover of the Light

Idris Elba estrela e dirige este belíssimo clipe. Lover of the Light traz a história de um senhor que vive sozinho com seu cachorro. Mas há um detalhe na vida deste homem: ele é cego. Ele vive seu dia-a-dia normalmente, mas se sente preso às suas limitações. Então ele se desprende delas e parte em busca da luz que não pode ver, mas que ele tanto cobiça. O vídeo acompanha esta jornada deste rapaz e emociona ao mostrar a odisseia dele por sua liberdade plena. O cervo no vídeo faz alusão a isso, sentir-se livre. A direção trabalha o tema tão bem que é impossível não se emocionar com a história e a atuação de Elba. Sem falar na música, que é uma das melhores do disco Babel.

Direção: Idris Elba

Muse – The 2nd Law: Isolated System

Aos poucos, Muse se prova uma das melhores bandas do mundo (até foi eleita como tal neste ano). Seus discos estão longe da perfeição, mas eles experimentam, ousam e são imbatíveis quando estão no palco. A faixa The 2nd Law: Isolated System não tem uma letra, ela é uma faixa eletrônica e que tem apenas algumas falas como se fossem retiradas de um telejornal. O vídeo traduz o pensamento de um sistema isolado a que se refere o título. O clipe traz uma cidade em ruínas, como se tivesse sido devastada por algum fenômeno. As paisagens são comprometidas pelo tom acinzentado da fotografia e o clima é de tristeza. Logo vemos uma turma de jovens correndo pela cidade, fugindo de uma onda digital que, por onde passa, transforma tudo em virtual. A mensagem aqui pode ser tanto explícita quanto subjetiva. O que percebe-se é que a tecnologia simplesmente destruiu o mundo real e é inevitável que ela tome conta de tudo e todos. O grau de evolução dela se tornou tão grande que mesmo quem tenta lutar contra não tem chance alguma de vencê-la. É a destruição do mundo moderno pelo o que criamos e deixamos fugir do nosso controle. É o digital, sem cores, emoções, sem vida. É o sistema que nos isolou e que irá nos dominar tão breve quanto se possa imaginar, se é que já não o fez. É a ideia mais consistente entre os videoclipes deste ano, e certamente a mais pesada e próxima da realidade.

Direção: Tom Kirk

1 Keane – Disconnected

A primeira imagem do clipe de Disconnected traz um aviso, em italiano, dizendo que é proibida a cópia desta fita, pois se trata de pirataria. É um daqueles avisos no começo das fitas VHS. A intenção é justamente essa. Fazer um clipe de estilo retrô. O videoclipe é uma homenagem ao cinema das antigas. Em especial, ao cinema de suspense e terror. A filmagem tem os riscos e falhas que aparecem nas projeções dos rolos de filmes no cinema e também nas fitas VHS. A narrativa é a típica do gênero. Uma mulher se muda para um casarão antigo e aos poucos vai descobrindo os horrores e maldições contidos nele. Fantasmas, zumbis, túmulos, delírios, possessões, gritos, sustos, lama e chuva. As características clássicas do gênero podem ser encontradas em Disconnected, que conta com uma atriz (Letícia Dolera) inspiradíssima e que adiciona mais qualidade ao vídeo. É um videoclipe ágil, com edição primorosa, uma direção de arte caprichada, efeitos especiais de qualidade e uma narrativa bem elaborada. A direção da dupla composta por J.A. Bayona e Sergio G. Sánchez é sensacional e nos presenteia com o melhor clipe do ano.

Direção: J.A. Bayona & Sergio G. Sánchez

Confira também:
Os Melhores Clipes de 2011

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2 comentários sobre “Melhores Clipes de 2012

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